Lista contra senador gera nova polêmica
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sexta-feira, 30 de maio de 1997
Leandro Donatti, de Curitiba 
Arquivo FolhaControvérsiaGuelmann: só os prefeitos de Cambará e Grandes Rios não assinaramO secretário-chefe de gabinete do governador Jaime Lerner, Gerson Guelman, contestou ontem o grupo de prefeitos do interior - três deles ouvidos pela Folha - que negou participação no abaixo-assinado divulgado na semana passada pelo Palácio Iguaçu e que critica o bloqueio dos empréstimos do programa Paraná 12 Meses, costurado pelo senador Roberto Requião (PMDB). Segundo ele, somente os prefeitos de Cambará, Mahamad Ali Hanze; e de Grandes Rios, Sueli Esther Silva Lino, deixaram de dar o aval.
Guelman apresenta apenas algumas listas contendo as adesões de parte dos 397 prefeitos que supostamente teriam assinado o documento. O que ainda não é suficiente para descartar eventuais furos. Segundo ele, o Palácio Iguaçu não recebeu todas as listas, passadas desde fevereiro deste ano pelos presidentes das associações microrregionais dos municípios do Paraná.
Ele admite, no entanto, que o documento, coordenado pelo secretário do Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, é anterior ao bloqueio dos empréstimos determinado pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado). Mas descarta qualquer acusação de uso irregular do abaixo-assinado.
Já os prefeitos de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB); e de Dois Vizinhos, Jaime Guzzo; e o vice de Marialva, Luiz Carlos Stephano (PSDB), que garantiram na última quarta-feira que não comungaram do documento, ficaram surpresos ao verem suas assinaturas.
Alegaram ontem que tiveram suas assinaturas utilizadas irregularmente pelo governo. Eles estão exagerando. O que eu assinei foi uma lista de presença. Jamais serviria de boi de piranha num caso como este, reclama o prefeito de Cascavel que, antes de ter em mão o documento assinado, chegou a acusar o governo de falsidade ideológica.
Jaime Guzzo diz que nem lembrava mais da reunião da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (AMSOP) do último dia 7 de março. Esse abaixo-assinado não falava que queríamos a liberação sem conhecer os termos do acordo do governo com a Renault. Por que é que só foi divulgado agora e dessa maneira?, questionou.
Já o vice-prefeito de Marialva admitiu que assinou a ata da reunião da associação da região. Porém, um dia depois do bloqueio dos empréstimos no Senado, fui procurado por um assessor do PDT, no Palácio Iguaçu, para assinar uma moção de repúdio a Requião, que quer desvendar o contrato com a Renault, acusa o vice que até ontem achava que existiam dois abaixo-assinados.


