Lista contra Requião tem furos
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quarta-feira, 28 de maio de 1997
Leandro Donatti, De Curitiba 
Pelo menos nove prefeitos do interior negam participação no abaixo-assinado que teria sido enviado ao senador Roberto Requião (PMDB), exigindo a liberação dos empréstimos do programa Paraná 12 Meses junto ao Senado Federal. A Folha ouviu três deles ontem e o levantamento mostra que a lista divulgada pelo Palácio Iguaçu apresenta alguns furos. O governo garante que 397 dos 399 prefeitos do Paraná aderiram ao movimento anti-Requião.
O prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB), diz que não foi procurado nem pelo governo nem pela Associação dos Municípios do Oeste. E se fosse não assinaria, se apressa. Adversário do grupo de Lerner, ele acha que os nomes dos prefeitos estão sendo usados indevidamente. É uma briga de tubarões. Nós somos mariscos pequenos espremidos entre a rocha e as ondas, compara.
O vice-prefeito de Marialva, Luis Stefano (PSDB), confirma que o prefeito João Celso Martini (PSDB) também não aderiu ao abaixo-assinado. Ele diz que a a Prefeitura adotou posição de isenção no episódio. Queremos o dinheiro, mas também exigimos transparência do governo no acordo firmado com a Renault, explica.
O vice de Dois Vizinhos, ex-deputado estadual Ovídio Constantino (PT), afirma que o prefeito Jaime Guzzo (PMDB) não deu seu aval. Ele (Guzzo) é amigo pessoal do Requião e defendeu que os termos do contrato com a Renault fossem revelados, observa. Negam ainda a assinatura ao documento os prefeitos de Mariluz, União da Vitória, Marechal Cândido Rondon, Nova Esperança, Ibiporã e Matelândia.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PTB), admite que pode haver furos na lista. Diz que o abaixo-assinado está sendo passado pelo secretário do Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, desde março, para os presidentes das associações microrregionais de todo o Estado.
O objetivo, segundo ele, era entregar o documento na casa de Requião no dia 18 de abril, antes da sessão da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) que paralisou os empréstimos. Mas a assessoria de Requião desmarcou o encontro porque ele estava em Brasília. Zé do Carmo afirma que a entrega do documento não foi sinal de que os prefeitos estão de um lado ou do outro. Pedimos apenas ao senador que liberasse o projeto, que é de importância para nós.
O Palácio Iguaçu, através do secretário-chefe de gabinete do governador, Gerson Guelman, nega a autoria do documento e remete a responsabilidade do abaixo-assinado a Ficinski. O staf político de Lerner estava empenhado em não revelar os furos.


