Pelo menos nove prefeitos do interior negam participação no abaixo-assinado que teria sido enviado ao senador Roberto Requião (PMDB), exigindo a liberação dos empréstimos do programa Paraná 12 Meses junto ao Senado Federal. A Folha ouviu três deles ontem e o levantamento mostra que a lista divulgada pelo Palácio Iguaçu apresenta alguns ‘furos’. O governo garante que 397 dos 399 prefeitos do Paraná aderiram ao movimento anti-Requião.
O prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB), diz que não foi procurado nem pelo governo nem pela Associação dos Municípios do Oeste. ‘‘E se fosse não assinaria’’, se apressa. Adversário do grupo de Lerner, ele acha que ‘‘os nomes dos prefeitos estão sendo usados indevidamente’’. ‘‘É uma briga de tubarões. Nós somos mariscos pequenos espremidos entre a rocha e as ondas’’, compara.
O vice-prefeito de Marialva, Luis Stefano (PSDB), confirma que o prefeito João Celso Martini (PSDB) também não aderiu ao abaixo-assinado. Ele diz que a a Prefeitura adotou posição de isenção no episódio. ‘‘Queremos o dinheiro, mas também exigimos transparência do governo no acordo firmado com a Renault’’, explica.
O vice de Dois Vizinhos, ex-deputado estadual Ovídio Constantino (PT), afirma que o prefeito Jaime Guzzo (PMDB) não deu seu aval. ‘‘Ele (Guzzo) é amigo pessoal do Requião e defendeu que os termos do contrato com a Renault fossem revelados’’, observa. Negam ainda a assinatura ao documento os prefeitos de Mariluz, União da Vitória, Marechal Cândido Rondon, Nova Esperança, Ibiporã e Matelândia.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PTB), admite que pode haver ‘furos’ na lista. Diz que o abaixo-assinado está sendo passado pelo secretário do Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, desde março, para os presidentes das associações microrregionais de todo o Estado.
O objetivo, segundo ele, era entregar o documento na casa de Requião no dia 18 de abril, antes da sessão da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) que paralisou os empréstimos. ‘‘Mas a assessoria de Requião desmarcou o encontro porque ele estava em Brasília’’. Zé do Carmo afirma que a entrega do documento não foi sinal de que os prefeitos estão de um lado ou do outro. ‘‘Pedimos apenas ao senador que liberasse o projeto, que é de importância para nós’’.
O Palácio Iguaçu, através do secretário-chefe de gabinete do governador, Gerson Guelman, nega a autoria do documento e remete a responsabilidade do abaixo-assinado a Ficinski. O staf político de Lerner estava empenhado em não revelar os ‘furos’.

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