Curitiba - O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu severamente o desembargador Edgard Antônio Lippmann Júnior, do Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF4), por ter favorecido a reabertura de uma casa de bingo em Curitiba em novembro de 2003. Ele recebeu a maior pena administrativa prevista, sendo aposentado compulsoriamente do tribunal. Lippmann passa a receber remuneração proporcional aos 36 anos de trabalho, 14 dos quais no TRF4. O valor não foi calculado pelo órgão, que aguarda comunicação do CNJ para iniciar o processo de aposentadoria. Lippmann anunciou que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a decisão.
A investigação, contudo, supera a esfera administrativa. Os membros do CNJ decidiram de forma unânime encaminhar os autos do processo ao Ministério Público Federal e à Advocacia Geral da União. O relator, conselheiro Bruno Dantas, também recomendou a remessa dos documentos ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, diante da suspeita de participação de procuradores e advogados no esquema de venda de decisões judiciais. Na esfera penal, o caso está sendo apurado no inquérito 583, que está em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Os documentos coletados pelo CNJ indicam movimentação financeira acima do padrão salarial de Lippmann, que o condenado nega. Ele alega que os conselheiros não consideraram laudos da Controladoria Geral da União anexados ao processo. Para o CNJ, Lippmann teria movimentado valores acima dos rendimentos de magistrado, adquirido imóveis em nome da família e recebido pequenos depósitos bancários na tentativa de ludibriar os órgãos fiscalizadores, como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
''Ele, utilizando de sua elevada condição funcional, praticou atos incompatíveis com a honra e o decoro inerentes ao exercício da magistratura'', afirmou Dantas, responsável pela análise das provas. O ex-desembargador ficou famoso durante o período em que Requião foi governador do Paraná. Após troca de acusações entre os dois, inclusive por meio da Escola de Governo, Lippmann tirou do ar o programa veiculado pela Televisão Educativa. Em 29 de abril de 2009, quando o CNJ suspendeu o magistrado, Lippmann chegou a acusar o ex-governador de manobrar politicamente pelo seu afastamento. Ao contrário do esperado, Requião manifestou-se discretamente nas redes sociais sobre o caso, repercutindo a decisão do CNJ sobre Lippmann pelo Twitter, mas sem muitos comentários.

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