'Limite existe para ser respeitado'
Curitiba - A psicóloga Iara Thielen, do Núcleo de Psicologia de Trânsito da Universidade Federal do Paraná, entrevistou motoristas com grande quantidade de multas registradas na carteira para tentar determinar como é a percepção do risco para essas pessoas. ''A maior parte deles não acha que está com excesso de velocidade'', apontou.
Segundo Iara, a maioria das multas registradas pelos radares eletrônicos são de velocidade em até 20% acima do limite. ''É a pessoa que anda a 68, a 72 km/h numa via cujo limite é 60km/h'', explicou. ''Elas acham que correr um pouquinho não é problema. Se acham no direito de decidir o que é excesso e o que não é'', apontou. E completou: ''mas o fato é que se uma pessoa for atropelada a 60 km/h a chance dela sobreviver é só de 30%. O risco existe e o limite existe para ser respeitado''.
Para Iara, o resultado da pesquisa mostra que as pessoas tendem a ver o trânsito de forma individualizada. ''É um individualismo exacerbado. A pessoa acha que pode existir um limite para ela que é diferente dos outros. Mas o trânsito é uma coisa coletiva. E as regras existem para civilizar essa convivência'', explicou.
O individualismo observado pela pesquisa, disse ela, é consequência do poder real que o veículo confere ao motorista. ''Dentro do carro o condutor passa a acreditar que ele tem a preferência, que o espaço é dele. Mas o espaço não é dele, é coletivo'', analisou.
''No caso de alguém como um deputado isso pode ser ainda mais exacerbado'', comentou ela, em relação ao acidente do parlamentar Fernando Ribas Carli Filho. ''Numa situação dessas a pessoa só se convence de que estava errada se tiver a consciência de que matou outras pessoas'', apontou. (R.C.F.)





