São Paulo - Uma decisão do Conselho Nacional do Ministério Público suspendeu o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da mulher dele, Marisa Letícia, ao Ministério Público de São Paulo, que estava previsto para ontem. O ex-presidente e a esposa dele foram intimados a depor sobre a situação do tríplex no condomínio Solaris, em Guarujá (SP), e suspeitas de irregularidades na transferência para a empreiteira OAS de obras inacabadas da Bancoop. Caso fale ao MP, será o primeiro depoimento de Lula na condição de investigado.
O tríplex está em nome da OAS, e Lula justifica que tinha uma cota da cooperativa Bancoop, que pertencia ao Sindicato dos Bancários, mas que desistiu de comprar imóvel. A suspensão do depoimento foi determinada pelo conselheiro Valter Araujo, que atendeu a pedido do deputado Paulo Teixeira (PT-SP) questionando a atuação do promotor Cassio Conserino, alegando que ele não teria legitimidade para conduzir o inquérito. A decisão vale até que o plenário do conselho do MP avalie o caso.

CONFRONTO
Grupos simpatizantes e críticos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegaram a atirar garrafas d'água e pedras uns nos outros ontem, em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda, onde o petista daria depoimento pela manhã. A maior confusão ocorreu por volta das 11 horas, após militantes do Nas Ruas e do Revoltados Online tentarem inflar o boneco "Pixuleco", que faz alusão a Lula vestido de presidiário. Um dos coordenadores da Frente Brasil Popular, que defende o ex-presidente, chegou a pedir a policiais presentes no ato que não deixassem o boneco ser inflado porque não conseguiria conter os manifestantes. Neste momento, os grupos começaram a se xingar e atiraram garrafas uns nos outros. A polícia interveio para separar os manifestantes, que se espalharam e tomaram a rua. Um batalhão da tropa de choque da Polícia Militar que estava dentro do fórum estava presente.
Antes, às 10h40, militantes da Frente Brasil Popular acenderam fogos de artifício e jogaram uma bomba perto de onde manifestantes anti-Lula estão situados. Depois disso, ambos os grupos ameaçaram invadir o acesso ao fórum, que separa os manifestantes. Pouco depois, uma manifestante da Central de Movimentos Populares foi socorrida por policiais. O motivo teria sido pedra lançada do lado dos movimentos antipetistas.
A Frente Brasil Popular se aglomerou na calçada à esquerda do fórum. "Fora coxinha" foi um dos gritos que entoados. À direita do prédio, em número menos expressivo, estavam movimentos como o Nas Ruas e o Revoltados Online. Aos opositores, gritavam "Vai trabalhar, vagabundo".
Anteontem, na chamada para o ato, o presidente da CUT, Vagner Freitas, divulgou em seu perfil no Facebook um poster com as frases "Lula eu respeito, Lula eu defendo". "Esperamos que seja o início de uma reação popular contra um linchamento sem precedência de uma das mais importantes lideranças mundiais dos últimos tempos", disse Raimundo Bonfim, coordenador geral da Central de Movimentos Populares (CMP) e membro da Frente Brasil Popular.
Também na última terça, Kim Kataguiri, um dos líderes do MBL, pedia uma demonstração da "legitimidade popular" dos movimentos contrários a Lula, Dilma e PT. O MBL, porém, desistiu da manifestação após o depoimento do ex-presidente ser cancelado. Com o cancelamento do depoimento, deputados petistas que iriam participar do ato em defesa do ex-presidente se reuniram com ele na sede do Instituto Lula.

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