O juízo da 9 Vara Cível de Londrina emitiu no final de tarde de ontem uma liminar que impede temporariamente o desconto da paralisação na folha de pagamento de sevidores públicos municipais. A decisão assinada pela juíza Cristiane Tereza Willy Ferrari se refere à greve de um dia feita terça-feira passada pela categoria que reivindica 21% de reposição salarial.
No despacho, a juíza argumenta que a não concessão de liminar poderia ''resultar em prejuízo aos servidores'', uma vez que atrapalharia tanto a ''satisfação dos compromissos financeiros'' deles quanto a ''manutenção própria e da família''. Por outro lado, ela pede aos grevistas que o movimento não afete os serviços essenciais à comunidade.
Tão logo seja notificada, a Prefeitura de Londrina tem o prazo de 10 dias para prestar os esclarecimentos que julgar necessários. Segundo o secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, o Executivo não só vai recorrer após a notificação, como novamente mantém a promessa de descontar mais dias de paralisação a princípio, as próximas segunda e terça-feiras.
Também ontem, mas pouco depois das 11 horas, representantes da Câmara de Vereadores, da Prefeitura e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) tentaram em vão mais uma rodada de negociações que impedisse a paralisação de dois dias que inicia a próxima semana. O encontro feito no auditório da Caapsml durou aproximadamente uma hora e meia, mas não resolveu o impasse que se arrasta desde o início do ano. Da pauta de 28 itens reclamada pelos servidores, o impasse maior está no pagamento de licença-prêmio e na reposição de 21% referentes aos quatro anos do primeiro mandato de Nedson Micheleti (PT).
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, criticou Jacks Dias por ele não ter apresentado uma planilha que permitisse a ''acareação'' com a feita pelo Dieese a pedido dos sindicalistas. Por esta, a Prefeitura teria condições de quitar o que deve sem desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). ''Mais uma vez ele não nos mostrou nada e nem garantiu que a reposição pudesse ser feita em setembro, ainda assim só caso se confirmasse a receita'', declarou Urbaneja. A respeito da paralisação de 48 horas, o sindicalista ressalvou que, por ora, ''a opinião mais forte é deflagrar mesmo uma greve geral''.
O secretário de Gestão Pública rebateu a reclamação salientando que convidou os servidores a acompanharem diariamente a receita do município. ''Eles estão vendo a receita cair na conta do banco. Se for necessário ficar o ano todo dialogando, vamos ficar'', resumiu.
Representante da comissão de vereadores que intermedia as conversas, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) admitiu que ''está complicado'' um acordo entre as partes. ''O Executivo não apresenta proposta alguma, o que deixa a desejar. Não se avançou em nada para evitar uma greve'', analisou o petebista.

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