O empresário e doleiro Alberto Youssef vai passar o Natal e o réveillon em casa, com a família. Preso desde o dia 5 no 3º Distrito Policial de Londrina, acusado de ‘‘lavar’’ R$ 120 mil desviados da Prefeitura de Londrina, ele foi solto ontem à tarde por ordem do juiz convocado Luiz Gonzaga Milani de Moura, da 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ). O juiz, depois de negar inicialmente uma liminar que pedia a libertação do doleiro, acabou reconsiderando a decisão atendendo recurso do advogado João dos Santos Gomes Filho.
De acordo com o advogado, que soube da decisão do TJ pela Folha, o pedido de reapreciação da liminar foi embasado no parecer do Ministério Público Estadual (MPE), solicitado pelo juiz Milani de Moura. Ele disse que o parecer pediu ao desembargador que ouvisse o juiz Arquelau de Araújo Ribas, da 4ª Vara Criminal de Londrina, que concedeu a prisão.
Em seu despacho, Moura rebateu os principais fundamentos do pedido de prisão preventiva feito pelo MP de Londrina – garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal. Ele comentou que por mais que o caso tenha sido fartamente noticiado pela imprensa, não provocou um ‘‘clamor público’’ que justificasse a decretação da prisão ‘‘de forma isolada’’, sem atingir envolvidos no ‘‘crime antecedente’’ (improbidade administrativa).
Além de Youssef, a Justiça de Londrina decretou a prisão do servidor municipal João Edson Danzinger, o ‘‘João Boquinha’’, que seria o principal ‘‘laranja’’ do doleiro; de Antonio Carlos Neri Romero, segurança; e Eroni Miguel Peres, cunhado. Os três estão foragidos. Uma denúncia-crime do MP estadual ainda pede a prisão de nove pessoas envolvidas em desvio de recursos, entre elas o prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido).
Moura também destacou que Youssef ‘‘compareceu perante o MP de primeiro grau, prestou informações, não se furtando das investigações que eram realizadas.’’ Sobre o argumento de que testemunhas manifestaram preocupação com eventual ‘‘risco, até de vida’’, caso revelassem o titular das contas fantasmas, o juiz observou que na fase de instrução os ‘‘co-denunciados delatores’’ negaram as ameaças.
A ordem para liberar Youssef chegou ao 3º DP às 17h30. Em seguida, as advogadas Desirre Gomes e Márcia Costa, do escritório de Gomes Filho, deixaram o local com Youssef em um Corsa branco. Para evitar o contato com a imprensa, o veículo foi estacionado no interior do distrito, onde entram apenas viaturas. O delegado Valdir Abraão da Silva disse que o pedido feito pelas advogadas foi atendido porque não há impedimento legal para que o doleiro entrasse no carro longe dos repórteres.
O promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina, adiantou ontem que vai recorrer da decisão de Moura. ‘‘A decisão a gente recebe com respeito. Porém achamos lamentável uma pessoa com implicações em nível nacional e ligações comprovadas com Paolicchi (Luis Antônio Paolicchi, ex-secretário de Maringá), seja colocada na rua.’’

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