A origem familiar de Ney Braga e a sua formação como oficial do Exército nortearam toda a carreira política do ex-governador em mais de 40 anos de vida pública. Ney Amintas de Barros Braga nasceu na Lapa (71 quilômetros a oeste de Curitiba), no dia 25 de julho de 1917. Gostava de dizer que nasceu numa família tradicional. ‘‘Quero me referir à tradição no seu melhor sentido etmiológico à transmissão dos fatos e valores espirituais através das gerações.’’
Os pais, Antônio Lacerda Braga e Semírames Costa Barros, casaram-se em 1915 e, assim, formaram mais um dos casais das duas famílias que, desde o final do século passado, se dividiam entre apoiar a Revolução Federalista, representada pelos Braga; e os que defendiam o governo central, representados pelos Lacerda.
O historiador e professor de Sociologia Política, Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), avalia que a partir dessa época Ney Braga ‘‘aprendeu a conviver com as diferenças’’. Depois que serviu ao Exército no Rio Grande do Sul, São Paulo e no Paraná, Ney Braga se formou na Escola de Comando e Estado Maior, no Rio de Janeiro, em 1943. ‘‘Foi ali que ele aprendeu sobre as tendências do pós-Guerra. As concepções estratégicas bem concebidas, com planejamento e construção institucional para, por exemplo, combater o comunismo,’’ salienta Ricardo.
Quando voltou a Curitiba, em 1949, casou-se pela segunda vez com Nice Camargo Riesemberg. Dois anos depois começou a carreira política dele. O cunhado, Bento Munhoz da Rocha (irmão da primeira mulher, Maria José) que era governador o nomeou para a Chefatura de Polícia. O estilo conciliador o levou a vencer a briga pela Prefeitura de Curitiba, em 1954.
‘‘A partir daí Ney Braga criou o nicho institucional para a matriz do principal grupo político do Paraná nesse fim de século’’, destaca o historiador. Em 1958, no recém criado Partido Democrático Cristão (PDC), Ney Braga obteve 57 mil votos e foi eleito deputado federal pelo PDC.
Ney Braga apoiou o movimento militar revolucionário que derrubou João Goulart da presidência em 1964. Ele foi um dos articuladores da indicação de Castelo Branco para presidente e, depois, foi seu ministro da Agricultura, de 1965 a 1966. Já Arena, no fim dos anos sessenta, Ney foi eleito senador. As fortes ligações com os militares levaram Ney Braga ao Ministério da Educação.
‘‘Ele conheceu o núcleo do movimento revolucionário na Escola de Comando. Sem essas ligações ele não teria facilidades em conquistar os cargos que ocupou.’’ O exemplo claro dessas ligações ficou evidente na sucessão de Geisel. Mesmo apoiando um civil, Aureliano Chaves, para suceder o general, – ao invés do general João Figueiredo – Ney Braga voltou a governar o Paraná em 1978.

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