BeiruteOs dirigentes da Liga Árabe, reunidos em Beirute, aprovaram ontem uma iniciativa de paz para o Oriente Médio impulsionada pela Arábia Saudita, que Israel qualificou de ‘‘inaceitável’’, e também apadrinharam um pacto de não agressão entre Iraque e Kuwait.
O plano, intitulado ‘‘Iniciativa de paz árabe’’ propõe a Israel uma paz global em troca da retirada total dos territórios árabes ocupados em 1967, incluíndo o Golã sírio, o sul do Líbano ainda sob a ocupação e o setor leste de Jerusalém, além de uma solução para o problema dos refugiados palestinos. A proposta reclama ‘‘a aceitação da criação de um Estado independente nos territórios palestinos ocupados desde 1967 na Cisjordânia e Faixa de Gaza com Jerusalém Oriental como capital’’.
‘‘Em troca’’, os países árabes concluirão um acordo de paz e estabelecerão relações normais com Israel ‘‘como parte de uma paz global’’.
Israel não aceita– O plano de paz adotado pela cúpula da Liga Árabe em Beirute é ‘‘inaceitável’’ em sua formulação atual, já que levaria à destruição do Estado de Israel, disse à AFP Emmanuel Nachshon, um porta-voz do ministério israelense das relações exteriores. ‘‘Não podemos aceitar o direito ao retorno (dos refugiados palestinos). Isso implicaria em dois Estados palestinos’’, disse Nachshon. Segundo ele, a criação de um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, unido ao regresso dos refugiados a Israel, significaria o fim do Estado hebreu. Israel sempre rechaçou o regresso dos 3,7 milhões de refugiados palestinos, com o argumento de que isso alteraria o equilíbrio demográfico a favor dos árabes.
Em Beirute, o líder do movimento xiíta libanês Hezbollah, xeque Hassan Nasralá, considerou que o plano de paz morreu antes de nascer devido à negativa do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, de retirar-se dos territórios árabes ocupados desde 1967.

mockup