A Câmara de Vereadores de Lidianópolis (localizada a 130 km ao sul de Apucarana) criou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar denúncias de irregularidades cometidas pelo prefeito João Batista da Silva (PDT) que teria dívida superior a R$ 400 mil com o Instituto de Previdência e Assistência do Município (IPAM). De acordo com a diretoria e com o conselho fiscal do Instituto, a prefeitura retém o recurso do Fundo de Previdência, mas não deposita na conta do Instituto.
Segundo a presidente do IPAM, Simone Aparecida Quiezi, o município desconta 7% sobre o salário de quem tem até 35 anos e 10% daqueles com mais de 65 anos de idade. A prefeitura possui um quadro com 160 funcionários e, de acordo com Quiezi, não repassa a verba do Instituto desde abril de 97. Ela conta ter recorrido à Promotoria de Ivaiporã e a responsabilidade civil do prefeito já estaria sendo investigada. ‘‘Agora recorremos à Câmara para apurar a infração político-administrativa. Ele está desrespeitando a lei orgânica que, em seu artigo 141 diz que se o chefe do Executivo que ficar noventa dias sem recolher pode ter seu mandato cassado’’.
A presidente do IPAM disse que existem de 10 a 20 funcionários prontos para o benefício da aposentadoria e isso é um problema criado no município. ‘‘Se começar a gastar o dinheiro do Fundo para quitar as aposentadorias o dinheiro vai desaparecer’’, disse, receosa, Simone. O número baixo de funcionários que requisitaram aposentadoria tem relação com o fato de o município ser novo. Ele foi desmembrado de Ivaiporã. É a segunda administração no município, que tem 5 mil habitantes.
O prefeito João Batista da Silva não foi localizado pela Folha para comentar a abertura da CEI e a marcha das investigações. Em abril, quando o vereador Alaudo Fidélis (PFL) procurou a reportagem para denunciar o não repasse ao IPAM, o prefeito reconheceu a dívida e alegou ‘‘estar jogando todo o dinheiro no próprio município’’. Na ocasião, ele disse ter assumido a prefeitura com uma dívida de R$ 1 milhão e precisava fazer opção. ‘‘Ou partia para o desenvolvimento do município ou deixava o povo carente e abandonado. Preferi a primeira alternativa’’, alegou, na época. (P.Z)

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