Depois de perder dois dias na contagem de prazo para a votação da emenda da reforma da Previdência, os líderes governistas decidiram reagir e acabar com o desperdício de tempo. Em reunião com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), eles assumiram a responsabilidade de procurar manter o quórum nas sessões da Câmara - que servem para contar prazo para a votação da emenda - mesmo às sextas e segundas-feiras.
‘‘Fizemos um mea culpa. Compete à base de sustentação pôr a maioria dos deputados na Casa’’, afirmou o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). ‘‘Houve uma desorganização’’, disse o líder do PSDB, Aécio Neves (MG). Ele afirmou que, a partir de agora, haverá uma escala para garantir o quórum nas sessões.
Por falta de quórum, não houve sessão durante dois dias úteis. Até agora, mesmo sem muito esforço, a oposição vem ganhando na disputa para atrasar a reforma. Ontem, os partidos oposicionistas conseguiram aprovar na comissão especial da Previdência mais uma medida protelatória: foram reservados quatro dias para debates sobre o assunto.
O governo queria evitar a discussão política sobre a reforma. ‘‘Ao contrário do que queria o governo, vamos ampliar a discussão. Além disso, ganhamos tempo para mobilizar a sociedade’’, afirmou o deputado Humberto Costa (PT-PE). A ausência de deputados de partidos da base de apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso está sendo interpretada pelos líderes governistas como um sinal de que os parlamentares não querem votar a reforma.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), criticou ontem, em São Paulo, os deputados que não estão comparecendo à sessão extraordinária e que vão atrasar a votação, em primeiro turno, da reforma da Previdência. Na palestra que fez na Associação Comercial, ACM pediu aos empresários que compreendam o trabalho do Congresso. Mas não rebateu as críticas que a Câmara está recebendo da sociedade por causa do índice baixo de comparecimento à sessão extraordinária. E acrescentou: ‘‘É talvez até com justiça essa crítica.
Segundo ACM, mesmo assim as reformas administrativa e previdenciária serão aprovadas antes da eleição. ‘‘O Senado vota o segundo turno da reforma administrativa na segunda quinzena de março e, até o fim do mês, a Câmara deve votar o primeiro turno da previdenciária’’, previu.
Ele afirmou ainda aos empresários que, talvez antes de junho, a taxa de juros chegará a um nível suportável. Mas acha difícil o Congresso votar uma reforma tributária em ano eleitoral. ‘‘Ela compreende interesses da União, dos Estados e dos municípios e é difícil fazer essa harmonia’’, declarou. ‘‘Mas no fim deste ano deve ser feito pelo menos um estatuto tributário’’, disse ACM, sem detalhá-lo.

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