Satisfeitos com o resultado do depoimento de Eduardo Jorge, os líderes dos partidos governistas estão empenhados em esvaziar o Congresso e determinar aos parlamentares aliados ao Palácio do Planalto dedicação total às eleições municipais. A estratégia do governo é acelerar todas as investigações sobre o destino e a identificação dos beneficiários dos R$ 169 milhões desviados do TRT-SP.
Com esta estratégia definida pelo presidente Fernando Henrique e seus líderes no Congresso, o governo espera impedir surpresas na subcomissão encarregada do caso, e enterrar a tentativa da oposição de instalar uma CPI. A prioridade ‘‘número zero’’ do Planalto continua sendo a prisão do juiz fugitivo Nicolau pela Polícia Federal, um dos principais envolvidos no desvio da obra.
Na avaliação dos governistas, o depoimento do ex-secretário-geral da Presidência na subcomissão foi convicente. Embora satisfeito e bem mais otimista do que nas últimas três semanas, o presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ‘‘atenção’’ e ‘‘cautela’’ aos aliados. Segundo um dirigente do PSDB que conversou com o presidente, Fernando Henrique considerou ‘‘positiva’’ a repercussão do depoimento de Eduardo Jorge e ressaltou a reação do mercado financeiro, que se manteve estável.
Mas não quer que os governistas comemorem antes. No Planalto, contam auxiliares do presidente, aguarda-se o noticiário do final de semana. Por conta disso, na segunda-feira, os estrategistas políticos fazem uma nova reunião de avaliação. ‘‘Se não surgirem surpresas, temos 90% de chances de não alterar o plano’’, disse um tucano. Até lá, continuará confiada aos deputados e senadores aliados a tarefa de ‘‘enterrar’’ a CPI.
‘‘A proposta de uma CPI, evidentemente, está sepultada pela falta de fatos concretos’’, disse o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). ‘‘O depoimento foi convincente e reduz o assunto a sua real dimensão’’, observou o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). ‘‘A subcomissão começa a funcionar efetivamente como se fosse uma CPI’’, afirmou o líder do PMDB no Senado, Jader Barbalho (PA).
O Planalto quer antecipar-se nas investigações para que os trabalhos da subcomissão fiquem focados na questão do desvio de recursos do TRT. Nesse esforço, iniciado há três semanas, continuam empenhados a Advocacia-Geral da União, o Banco Central, a Receita Federal e a PF.

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