Brasília - Os líderes governistas fazem hoje a primeira de uma série de reuniões para tentar superar a crise instalada na base aliada por causa da pressa do governo em aprovar a reforma da Previdência e da insatisfação de aliados com a demora do Palácio do Planalto no preenchimento de cargos. As queixas aumentam também contra o comportamento de parte do PT. Antes da votação da reforma no plenário da Câmara, que deverá ser iniciada na semana que vem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende se encontrar com os líderes aliados para fazer ''um afago'' à base de apoio.
Os aliados acusam o PT de estar fazendo o papel de ''mocinho'' ao propor publicamente mudanças na reforma que atendem a reivindicações de setores da sociedade, enquanto os outros partidos da base ficam defendendo ''com unhas e dentes'' a proposta do governo. Os líderes aliados já avisaram ao ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, que não pretendem aceitar que eventuais mudanças na reforma previdenciária sejam creditadas a apenas um pequeno grupo de parlamentares.
''O próprio partido do governo tem feito críticas severas à reforma. O que deixa os outros partidos da base aliada em uma situação de tensão'', resume o líder do PSB na Câmara, deputado Eduardo Campos (PE). Ele defende um ''freio de arrumação'' e uma ''ação solidária'' entre os integrantes da base. ''Não podemos ter apenas o ônus para aprovar a reforma socializado por toda a base e as eventuais mudanças para melhorar a proposta capitalizadas por uma pequena fração. Dessa forma, não vamos ajudar na votação no plenário'', ameaça o socialista. ''Afinal, não tivemos o receio de enfrentar o ônus de aprovar a reforma em nome da solidariedade ao governo Lula'', completa.
''Está faltando diálogo na base. O governo não quer conflito com os governadores e daí essa tensão toda'', diz o líder do PTB na Câmara, deputado Roberto Jefferson (RJ).
Mesmo ressalvando que é preciso manter a espinha dorsal da reforma, os líderes querem mudanças na proposta. Tanto é assim que PTB, PL e PMDB já deixaram claro que, na votação em plenário, vão apresentar emendas ao texto que saiu aprovado da Comissão Especial da Câmara. O PL e o PTB querem mudar o subteto salarial do poder Judiciário nos Estados. O parâmetro para o teto estadual do Judiciário é o salário dos desembargadores que, pela proposta, ficou limitado a 75% da remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A idéia é se chegar a uma solução intermediária: não deixar a vinculação dos salários dos desembargadores em 75%, mas também não dar os 90,25%, reivindicados pelos magistrados.

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