Líderes suspendem greve de juízes
Gustavo Paul
e Mariãngela Gallucci
De Brasília
Os principais líderes da magistratura decidiram ontem suspender a greve nacional dos juízes convocada para hoje. Após reunião no Supremo Tribunal Federal (STF), em que tomaram conhecimento dos termos de liminar concedendo auxílio moradia de até R$ 3 mil, o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Tourinho Neto, afirmou que os juízes serão orientados, ainda pela manhã, a comparecer ao trabalho. Em princípio, não vai haver greve, avisou. Se parássemos, a sociedade teria grandes prejuízos, acrescentou.
Os líderes dos juízes ressaltaram que a verba autorizada ontem não representa, na verdade, o auxilio-moradia, mas sim remuneração direta. É salário, disse Tourinho Neto. O nome auxílio-moradia é para mascarar, mas é uma verba a ser incorporada, explicou. A decisão do STF mobilizou representantes das principais entidades ligadas à categoria, que participaram da reunião.
Hoje pela manhã, todas as associações farão consultas para referendar a decisão dos representantes e declarar oficialmente suspenso o movimento. Como isso foi uma decisão dos juízes, eles terão de decidir, justificou o presidente da Ajufe.
O Paraná não deverá aderir a greve dos juízes planejada para hoje. De acordo com o presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho do Paraná, Reginaldo Melhado, haverá reuniões em Curitiba, Maringá, Cascavel e Londrina.
Melhado, que integra o comando nacional de greve, aposta que o Estado deverá seguir a decisão tomada ontem em Brasília, adiando qualquer manifestação. A previsão é que as reuniões dos juízes se encerrem antes do meio-dia. Assim, retornam à tarde, ainda durante o expediente judiciário, sem afetar os despachos do dia. O problema mais urgente foi solucionado, diz, referindo-se aos vencimentos dos juízes e ao anúncio do auxíli-moradia.
O presidente da Amatra-PR afirma que os juízes vão continuar pressionando os poderes executivos a fixar tetos salariais. Melhado entende que é preciso estabelecer limites para os ganhos de alguns funcionários públicos. Ele reclama que há exageros de servidores ganhando muito acima do salário do presidente, recebendo até R$ 80 mil. Falta coragem dos governos federal e estaduais para estabelecer limites, ressalta. (Colaborou Israel Reinstein, de Curitiba)





