Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha
Líderes paranaenses das principais centrais sindicais (CUT, Força Sindical e CGT) entraram em consenso sobre as alterações que devem ser feitas no texto do Projeto de Lei nº 3003/97 e sobre a retirada da proposta da Emenda Constitucional 623/98, que propõem mudanças na estrutura e legislação sindical. As duas propostas estão em discussão no Congresso.
‘‘O maior erro do governo foi ter elaborado as propostas, que são muito importantes, sem ouvir o meio sindical’’, disse Geraldo Ramthun, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado do Paraná e um dos coordenadores do 1º Encontro dos Trabalhadores Paranaense, que terminou ontem no Hotel Carimã, em Foz do Iguaçu.
O deputado federal Luiz Antonio Medeiros (PFL-SP) esteve sexta-feira em Foz para palestrar sobre as duas propostas e recebeu de Sérgio Butika, presidente da Força Sindical/PR e do evento, um documento elaborado pelos 250 participantes.
Os sindicalistas aceitam substituir as quatro formas atuais de arrecadação (mensalidade sindical, contribuição sindical, contribuição confederativa e contribuição negocial) por duas (mensalidade sindical e contribuição negocial).
No entanto, querem que a lei não especifique índices e nem a maneira como deve ser paga estas contribuições. ‘‘Queremos mais liberdade para que cada categoria possa negociar isto da melhor maneira. Desta forma, o processo de negociação se torna mais democrático’’, disse Nilton Campos, presidente do Sintracimento, entidade que reúne os trabalhadores da indústria de artefatos de cimento de Curitiba.
No encontro em Foz, os trabalhadores também se comprometeram a idealizar um fórum permanente de debates e estudos sobre a nova estrutura e organização sindical no Brasil. ‘‘Só depois de amadurecermos nossas posições é que as modificações no setor poderão ser feitas com mais facilidade no parlamento. Queremos uma legislação boa para que ela seja duradoura’’, disse Ramthum, referindo-se a emenda constitucional que os sindicalistas não querem que seja aprovada a curto prazo.

mockup