BRASÍLIA - O comando político da reeleição, incluindo aí líderes, vice-líderes governistas e aliados, reúne-se hoje cedo para fechar a contabilidade dos votos sem ilusões de votar a emenda ainda nesta semana. ‘‘Ninguém vai derrubar a emenda no plenário, porque só vamos votá-la quando tivermos os votos necessários’’, advertiu o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). ‘‘A tendência é adiar a votação para o dia 29’’, admitiu o líder do governo na Câmara, Benito Gama (PFL-BA).
A avaliação do resultado das conversas nos últimos três dias começou ontem à noite, numa reunião informal do presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), com o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), e o governista Benito Gama. ‘‘Vamos avaliar o trabalho do fim de semana, porque todos voltaram às bases com o dever de casa de ouvir os companheiros do PMDB e PPB nos Estados’’, explicou o líder tucano ao anunciar o encontro.
Tucanos e pefelistas, que se uniram na campanha publicitária em favor da reeleição, revelaram-se otimistas com o efeito dos comerciais. ‘‘Os parlamentares estão voltando mais satisfeitos dos Estados porque a repercussão popular foi excelente’’, contou ontem o embaixador Jorge Bornhausen, depois de uma reunião com seu substituto na presidência do PFL, deputado José Jorge (PE) e com o presidente da Câmara.
O presidente do PFL salientou que o governo mantém a disposição de investir no acordo com o PMDB renitente em adiar a votação da emenda para depois de 15 de fevereiro. ‘‘Mas é bom lembrar que quem marca a votação é o presidente da Câmara com os líderes, e não convenções de partidos’’, disse José Jorge. A idéia dos pefelistas é cobrar do líder do PMDB, deputado Michel Temer (SP), a articulação no PMDB. ‘‘É o Temer quem deve dar o caminho’’, observou José Jorge.
Isto explica a ansiedade com que os aliados aguardam o discurso do lançamento oficial da candidatura Michel Temer à presidência da Câmara. O líder passou a segunda-feira dedicado exclusivamente à fala que vai levá-lo à tribuna às 16 horas. Seus amigos dizem que ele não tocará em assunto de reeleição, mas reconhecem a importância do discurso nas negociações em favor da votação rápida da emenda. ‘‘O fortalecimento da candidatura dele, com o discurso, vai dar uma tranquilidade imensa à bancada do PMDB e, a partir daí, surgirão alternativas e soluções’’, prevê, otimista, o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).
Só depois de concluída a contabilidade da ‘‘pescaria de votos’’ no fim de semana é que os líderes vão analisar a conveniência de se embutir o referendo popular na emenda da reeleição.

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