Líderes repudiam extras na Assembléia
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terça-feira, 15 de dezembro de 1998
Patrícia Zanin 
A convocação extraordinária da Assembléia Legislativa que começa amanhã e vai custar R$ 648 mil está causando indignação e revolta em vários setores da sociedade. O Sindicato dos Economistas do Paraná (Sindecon/PR) e de Londrina divulgaram nota conjunta repudiando a convocação. Existem questões mais importantes para gastar energia, como abortar a convocação extraordinária. Não dá para não se indignar, diz um trecho da nota, assinada pelos presidentes dos dois sindicatos, Francisco Arézio Ricardo Filho e Francisco de Assis Simões, respectivamente. Em Curitiba, o presidente da Assembléia, Aníbal Khury, diz que não está nem constrangido.
Outras lideranças ouvidas pela Folha também se manifestaram contra o elevado gasto com o período extraordinário, que vai vigorar até 5 de janeiro e foi requerido pelo governador Jaime Lerner (PFL). Cada um dos 54 deputados vai ganhar R$ 6 mil pela convocação e mais R$ 6 mil pela desconvocação. No início do mês, eles receberam a primeira parcela de 13º salário - R$ 2,1 mil para cada parlamentar. A segunda parcela será paga até o dia 20. No período extraordinário, a Assembléia vai apreciar o aumento do IPVA já para o próximo ano e a criação da Paranaprevidência.
Na atual conjuntura, o aumento do IPVA vem na contramão, principalmente porque o governo já tem tirado milhões e milhões de reais das empresas com o pedágio, reclama o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Valter Orsi. O político deveria ser um exemplo de conduta, mas só está preocupado com sua situação. E depois reclama de desgaste. Mas o que eles fazem para reverter a situação?, questiona.
Essa convocação é mais um encargo que será custeado pelo povo, reclama o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná, Clóvis Souza Coelho. Ele lembra que o Estado não paga empreiteiras, atrasa fornecedores e terá um gasto extra com a convocação. Não existe explicação que justifique esse gasto elevado, afirma o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, também acha que a convocação extraordinária não se justifica. Enquanto toda a sociedade está com o freio de mão puxado seria bom que o exemplo viesse do governo, prega. E chama a sociedade a se manifestar sobre o assunto. É importante para fortalecer a democracia, aposta.
A vice-presidente da Associação das Mulheres Batalhadoras do jardim Franciscato (zona sul), Rosalina Batista, defende que a população vá até a Assembléia e lote as galerias para mostrar a indignação. Se o paranaense não acordar, amanhã não seremos mais donos do Estado, alerta. Ela disse que os deputados deveriam colocar a mão na consciência e honrar o voto da comunidade, ao invés de cometer uma barbaridade dessas.
Questionado pela Folha sobre as reações dos segmentos organizados, o presidente da Assembléia, deputado Aníbal Khury (PFL), disse que a convocação é legal e moral. Não tenho o menor constrangimento. Mesmo que o governo não convocasse eu convocaria porque tem a posse do Lerner e teria de pagar do mesmo jeito. Além do mais, deputado ganha mal, afirmou. Apesar de figurar no ranking nacional como uma das assembléias mais bem pagas do País, com salário bruto de R$ 16,2 mil por deputado, Khury jura que o líquido é de R$ 4,3 mil. Milhões de funcionários ganham muito mais que isso, mas a Assembléia é um poder de vidro. Todo mundo vê e critica.
Ele disse ainda que os projetos são de relevância e que a convocação não vai requerer suplementação orçamentária. Será pago com o orçamento normal da Assembléia. Perguntado se os deputados aceitariam abrir mão do salário extra, Khury disse que de jeito nenhum. Não sou louco. Cada deputado talvez gaste mais que isso para ficar aqui em Curitiba. Além do mais, a Assembléia tem feito sacrifício demais.
Hoje, os deputados fazem um esforço concentrado para concluir a votação do Orçamento para o próximo ano.


