Brasília - A mãe-de-santo Areonilthes Conceição Chagas, 72, conhecida como Nitinha, convidada pelo Palácio do Planalto para acompanhar o funeral do Papa, perdeu ontem o vôo do Rio de Janeiro para Brasília e não embarcou rumo a Roma na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela até tentou se juntar ao grupo no Recife, onde o avião da Presidência fez uma escala técnica, mas não conseguiu chegar a tempo à capital pernambucana. Lula foi informado por assessores que a convidada dele se atrasou num engarrafamento na Avenida Brasil, quando seguia para o aeroporto.
O avião decolou de Brasília para Recife, onde fez escala técnica, às 7h30. A previsão de chegada a Roma era à 1h30 desta sexta-feira, 20h30 de quinta-feira, horário de Brasília. Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e José Sarney, também convidados de Lula, chegaram cedo à Base Aérea de Brasília. Assim como os presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Também integram a comitiva a primeira-dama Marisa Letícia, o rabino Henry Sobel, o pastor Rolf Schunemann, o xeque islâmico Armando Hussein Saleh, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), o porta-voz da Presidência, André Singer, e o chefe do Gabinete Pessoal do presidente, Gilberto Carvalho.
A banda da Base Aérea de Brasília tocou o hino nacional no embarque da comitiva. Por volta de 7 horas, já com sol brilhando, Lula transmitiu o cargo para o vice José Alencar. Antes de subir a escada do avião, o presidente fez questão de posar ao lado de Fernando Henrique, Sarney, Renan, Jobim e Severino, que usava um terno novo e que escondia parte de suas mãos.
O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Odilo Scherer, o arcebispo de Brasília, dom João Áviz, e o padre José Ernanne pegaram uma ''carona'' no avião.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a diversidade religiosa e política da comitiva indicava a ''unidade'' e a ''harmonia'' do País. ''Essa presença plural mostra que o Brasil, com todas as suas correntes políticas e religiosas, está unido em torno da figura do Papa, disse.
Amorim ''comentou a possibilidade de arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, ser eleito papa. ''Não depende de nós. Evidentemente, o Brasil estará de qualquer maneira no coração de qualquer papa.''
A uma pergunta sobre as chances de um cardeal argentino na sucessão de João Paulo II, o ministro respondeu que seria ''ótimo'' se um sul-americano fosse o escolhido pelo Espírito Santo. ''Isso não é uma partida de futebol'', completou.
O senador Aloizio Mercadante avaliou que o presidente teve um gesto de ''grandeza'' ao convidar os antecessores. ''O Brasil dá uma demonstração de que consolidou a democracia e que é capaz de viver com as diferenças.

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