Brasília - Apesar de já ser reconhecido como um evento consolidado, a marcha ainda suscita dúvidas. Marcha a Brasília num ano eleitoral pode acabar virando palanque, reconhecem alguns governistas. Os prefeitos têm plena consciência de que a marcha está consolidada na vida pública brasileira. ''A nossa intenção não é fazer disso um palanque. Temos uma agenda concreta. Dar ao encontro um caráter eleitoral não seria bom para os prefeitos nem para o Brasil'', avalia Marcelo Déda.
Defensor da marcha, o vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB/RS), acredita que alguns prefeitos podem até tentar se aproveitar do encontro para colocar no governo federal a culpa por não terem cumprido suas promessas de campanhas. ''Se tem governador fazendo isso, imagine prefeito. Mas estamos imunizados quanto a isso'', avisa. ''O que era impossível no passado continua impossível agora. O presidente Lula não ganhou uma vara mágica para resolver todos os problemas municipalistas de uma vez. Temos boa-vontade, mas vamos manter o pé no chão.''
Mesmo com o risco das críticas, a avaliação geral é a de que a marcha é um movimento legítimo a ser levado em consideração. Se, por um lado, ele pode servir como palco de críticas, o encontro funciona também como um canal de diálogo entre governo e as cidades. ''Parece que o caráter da Marcha à Brasília está mudando. De movimento reivindicatório, ela está se tornando um momento de compartilhamento de responsabilidades, de encontro de agendas'', afirmou o ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo.

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