Lideranças políticas, empresariais e sindicais de todo o Estado desembarcam amanhã em Brasília para fazer um ‘‘lobby’’ em defesa da liberação dos empréstimos do Paraná, bloqueados pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado), há cerca de um mês. Coordenado pelo prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT), e pelo presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná), José Carlos Gomes Carvalho (PFL), o movimento pretende neutralizar a ação dos senadores do Paraná Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) e sensibilizar os presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da CAE, José Serra (PSDB-SP).
Cinco secretários de Estado foram convocados pelo Palácio Iguaçu para participar. Rafael Greca (Casa Civil), Lubomir Ficinski (Desenvolvimento Urbano), Miguel Salomão (Planejamento), Hermas Brandão (Agricultura), Hitoshi Nakamura (Meio Ambiente) devem integrar a comitiva que sai de Curitiba às 10 horas. O governador Jaime Lerner (PDT) não vai a Brasília. Segundo o secretário-chefe de gabinete, Gerson Guelman, ‘‘não haveria sentido a sua presença, já que o movimento será conduzido de forma apartidária’’.
As lideranças do Paraná aproveitam ainda a viagem para conversar com o vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL). Gomes Carvalho, que acumula a Fiep com a direção estadual do PFL, não confirma a audiência, que já teria sido acertada pelo chefe da Casa Civil, Rafael Greca. Esta não é a primeira vez que o governo recorre ao vice-presidente. Greca já pediu, por telefone, que Maciel usasse da sua influência no Senado para desobstruir os empréstimos.
Segundo Taniguchi, ‘‘o Paraná está sendo o maior prejudicado com o bloqueio’’. ‘‘Tentaremos com esta comissão suprapartidária convencer os senadores da nossa razão’’, justifica o pedetista, que vai levar os números do governo para a audiência com ACM e Serra, marcada para as 17 horas, no Senado.
O presidente da Fiep está disposto a não entrar no mérito político da briga Lerner-Requião e Osmar. ‘‘Acho que temos de esquecer isso e nos manifestar contra a discriminação que o Paraná está sofrendo’’, afirma. Carvalhinho diz não entender por que o Senado liberou empréstimos para outros estados com capacidade de endividamente mais comprometida que a do Paraná.

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