A direção estadual do PSDB decidiu ‘lavar as mãos’ no processo de esvaziamento da bancada na Assembléia Legislativa, comandado pelo governador Jaime Lerner (PFL) para enfraquecer a pré-candidatura ao governo do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB). ‘‘Não vamos mover uma palha para segurar ninguém. As pessoas estão fazendo as suas opções e não podem continuar a servir dois senhores (Álvaro e Lerner) ao mesmo tempo’’, declarou o secretário geral do PSDB, Antenor Bonfim, referindo-se aos tucanos que ‘jogam duplo’ ao apoiar o Palácio Iguaçu e permanecer na sigla.
Para Bonfim, ‘‘o aliciamento feito pelo governo não é coisa de agora e já era esperado’’. ‘‘Não ficaremos com mágoas dessa saída. Os deputados estão analisando o melhor caminho político para eles e qualquer crítica que tenha sido feita contra nós é pura injustica’’, diz o secretário. Ele admite que o ex-governador Álvaro Dias foi o único que se empenhou para estancar a debandada, que apenas começou. ‘‘O Álvaro, que foi presidente do antigo PP, fez o seu espírito de companheirismo falar mais alto’’, avalia.
O secretário entende ainda que uma troca partidária agora, para os indecisos, é o melhor negócio. ‘‘A coligação com o PFL do governador não tem chance nenhuma de vingar. Quem aposta nisso é bom mudar de sigla. Para nós é claro que o lançamento de uma candidatura própria ao governo elege mais deputados’’, analisa.
A expectativa é de que até o retorno de Álvaro de Miami (EUA), marcado para a próxima segunda-feira, o processo de acomodação no PSDB esteja consumado. Os primeiros tucanos a oficializar a saída foram Carlos Simões e Albanor Gomes. Assinaram ficha de filiação no PTB, anteontem, por volta das 19 horas. Os próximos devem ser Beto Richa, Cesar Silvestri, Ricardo Chab, que também se alinham ao governo. Edson Silva Lino e Antonio Anibelli estudam a possibilidade e podem ir para o PPB e PMDB respectivamente.
Carlos Simões diz que entra no PTB pelas mãos do presidente nacional do PTB, senador José Eduardo de Andrade Vieira, e que está ‘‘de bem com o governador Jaime Lerner (PFL)’, líder do grupo político que o rotulou de ‘‘jacu’’ e o derrotou na disputa pela Prefeitura de Curitiba em 96. O deputado conversou na semana passada com Lerner, por telefone. ‘‘Tivemos um bate-papo franco que serviu para aparar todas as arestas. Vamos trabalhar juntos’’, anunciou.
A família Simões não comunicou ainda o desligamento do PSDB à cúpula tucana. Aguarda a chegada de Álvaro Dias. ‘‘Saio do partido sem problemas. Continuo companheiro do Álvaro (Dias), do Hélio (Duque) e do (Antenor) Bonfim. Mas já cumpri a minha missão no PSDB. Quero nova linha de ação’’, explica. Segundo ele, a saída foi uma ‘‘acomodação partidária’’. ‘‘Espaço eu sempre tive’’, avalia.

mockup