Brasília - Contando como certo o apoio de parte da oposição, o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) disse ontem que o governo já dispõe dos 49 votos necessários no Senado para aprovar a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011. A contabilidade foi revelada durante reunião do conselho político, no Palácio do Planalto.
O líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), afirmou porém que o ideal é elevar esse placar para 52. ''O número ideal é 52 (votos favoráveis). É o céu, o tapete azul'', disse Castro depois da reunião.
No entanto, o ministro Guido Mantega (Fazenda) destacou, durante a reunião, que o governo não cederá na redução da alíquota de 0,38% para assegurar a aprovação da proposta. ''Tem que aprovar o texto como veio da Câmara'', teria dito o ministro, segundo interlocutores.
Mas Mantega sinalizou que será possível ceder em outros pontos, como reivindicam integrantes da oposição e dos empresários. De acordo com o ministro, as propostas de desoneração do PIS-Cofins para as empresas de saneamento e de um possível compartilhamento dos recursos da Cide com os Estados são sugestões que podem ser executadas.
As negociações com a oposição no Senado também envolveram a Câmara, pois PSDB e DEM exigiam a votação da emenda 29 - que define a destinação de recursos federais, estaduais e municipais para a saúde.
No entanto, na reunião do conselho hoje a equipe econômica pediu o adiamento da votação. Mas os líderes da base aliada afirmaram que recuar no acordo com a oposição, adiando a votação para a próxima semana, poderia afetar as negociações da CPMF.
''Nós não aceitamos aguardar a votação da CPMF para depois votar a emenda 29, isso não é possível'', reclamou o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que será o relator da emenda na Câmara. ''A equipe econômica do governo não aceita a emenda como está.''

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