Brasília
Os líderes dos partidos aliados ao governo iniciam hoje uma operação pente fino em suas bancadas para tentar aprovar as emendas das reformas administrativa e previdenciária. ‘‘Será um trabalho cauteloso de contagem de votos’’, afirmou o deputado Arnaldo Madeira (SP), vice-líder do PSDB.
A ofensiva do governo foi discutida no final de semana em Brasília pelos líderes governistas com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). O presidente vai retomar amanhã no plenário a votação da emenda administrativa, interrompida na quinta-feira passada quando os governistas suspenderam a votação, temendo a rejeição do dispositivo que permite a demissão de servidores estáveis.
Há ainda 12 destaques que exigem votações de itens do projeto de forma separada para serem votados. O destaque que pretende excluir da reforma a possibilidade de demissão por excesso de quadros (quando os gastos com pessoal ultrapassam 60% da arrecadação) deverá ser votado na quarta-feira.
O governo prepara o rolo compressor também para tentar aprovar o projeto de reforma da Previdência. Os deputados da base de apoio do governo pretendem evitar que a emenda aprovada pelos senadores, no mês passado, seja modificada pela Câmara.
A votação da emenda na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, primeira etapa de tramitação, está prevista para quarta-feira pela manhã. Os partidos aliados (PFL, PSDB, PMDB, PPB e PTB) formam maioria na comissão, mas os governistas temem dissidências no item que prevê a contribuição dos aposentados com a Previdência.
O dispositivo foi considerado inconstitucional e derrotado na CCJ em 1995, quando o texto da reforma foi enviado pelo governo ao Congresso. O Senado restituiu o item na emenda. ‘‘Não concordamos com a contribuição dos inativos com a Previdência. Isso é uma questão partidária’’, afirmou o deputado Gerson Peres (PA), vice-líder do PPB.

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