Os líderes do PSDB, Aécio Neves (MG) e do PT na Câmara, Aloízio Mercadante (SP), reuniram-se ontem, iniciando negociações para uma eventual aliança na disputa pela sucessão do presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), em 2001. Para conquistar o apoio da bancada petista, Aécio Neves promete defender um programa de renovação da Câmara, que inclui uma efetiva inserção do Poder Legislativo na sociedade.
Nenhuma decisão foi tomada, mas os canais foram abertos. Em sinal de boa vontade, tucanos graduados devem manisfestar, individualmente, a preferência pela candidatura da ex-deputada Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo.
‘‘Fortalecer o inimigo é menos grave do que ser parceiro
de uma tragédia anunciada’’, avalia o líder do PSDB, respondendo de forma indireta ao candidato Paulo Maluf (PPB), que aconselhou os tucanos a não ‘‘criarem cobra no quintal’’.
Aécio sustenta que sua candidatura é irreversível e
calcula que terá apoio da maioria dos deputados na disputa contra o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). Ele disse que está sendo muito cobrado pelos liderados e considera que o partido se desagregará e ficará mais frágil nas negociações para a formação de alianças na eleição de 2002, caso não dispute a Presidência da Câmara.
O líder do PSDB avalia ainda que a disputa com Oliveira não atrapalha uma possível preservação da atual coalizão governista na campanha de 2002. ‘‘A prevalência ou não da aliança independe das eleições das Mesas da Câmara e do Senado; a composição vai ocorrer lá na frente e quem acha que a aliança vai acabar é porque está se sentindo fragilizado’’, observou, afirmando que o presidente Fernando Henrique Cardoso deve ser preservado e a interferência dele na disputa não deve ser pedida.