Líderes governistas descartam recriação da CPMF este ano
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Gabriela Guerreiro<BR> Folhapress 
Brasília - Líderes governistas descartaram ontem a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) pelo Congresso este ano.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a discussão sobre a recriação do tributo deve ocorrer somente se os parlamentares viabilizarem uma ampla reforma tributária no país.
''Não está em pauta (a CPMF). Cabe discutir CPMF quando formos discutir a reforma tributária. É uma contribuição efetiva, contra a sonegação. Mas para substituir tributos, temos que discutir na reforma'', afirmou. Há mais de cinco anos o Congresso tenta viabilizar a aprovação da reforma tributária, sem sucesso.
Governador eleito do Espírito Santo, o senador Renato Casagrande (ES) classificou de ''inoportuna'' a discussão sobre a recriação da CPMF.
''Temos que verificar outros mecanismos no Orçamento. Não dá para aumentar a carga tributária do Brasil. Se vier no âmbito de uma reforma (tributária), tudo bem. Mas temos que ter desoneração.''
Para Jucá, o Congresso deve criar ''mecanismos'' capazes de financiar a saúde brasileira sem discutir a recriação da CPMF.
''Falar isoladamente da criação de tributos não é a forma mais eficaz de resolver o problema. Não adianta abrir uma guerra santa contra ou a favor da CPMF.''
Apesar dos governistas negarem a recriação do tributo, a base aliada do presidente Lula sofre pressão de um grupo de governadores eleitos em outubro para que a contribuição volte a ser criada no país.
A oposição promete brigar contra a recriação da CPMF no Congresso, inclusive reeditando o movimento ''Xô CPMF''.
Em 2007, o presidente Lula sofreu derrota no Senado durante a votação da prorrogação da CPMF. O governo precisava de 49 votos para aprovar a manutenção do tributo, mas só conseguiu o apoio de 45 parlamentares - o que derrubou a cobrança da CPMF no país.


