Líderes do PSDB decidem continuar no governo Temer
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segunda-feira, 12 de junho de 2017
Bruno Boghossian, Talita Fernandes e Angela Boldrini<br>Folhapress 

Brasília - Os principais líderes e dirigentes do PSDB defenderam a manutenção do apoio ao presidente Michel Temer, em reunião nessa segunda-feira (12), em nome da aprovação da agenda de reformas proposta pelo peemedebista.
Governadores, parlamentares e ministros tucanos atuaram para aplacar a cobrança de integrantes da sigla que pressionam pelo rompimento com o governo e a entrega dos cargos ocupados pelo PSDB na gestão Temer.
A reunião começou no início da noite, na sede do partido em Brasília. A tendência era adiar uma decisão formal sobre o desembarque ou a permanência na base. Até as 20h, não havia definição.
Durante o encontro, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que a legenda deveria permanecer no governo até a conclusão da pauta de reformas de Temer -trabalhista, previdenciária e política.
Para o paulista, a manutenção do apoio do PSDB ao governo deveria estar associada à urgência dessa agenda.
A mesma posição foi defendida pelo senador José Serra (SP), que pediu cautela para que o partido não se torne mais um fator de instabilidade. Os governadores Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR) disseram o mesmo.
"É difícil deixar de apoiar um presidente com base no 'possivelmente'", afirmou Richa, antes do encontro, em referência à denúncia por corrupção que deve ser apresentada contra Temer pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
O presidente do partido, Tasso Jereissati, fez uma autocrítica e disse que a sigla deve retomar o compromisso com a ética. Os tucanos fizeram menção indireta à crise interna vivida pelo partido, a partir das acusações feitas contra o presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves, como um fator de fragilidade da legenda.
Alckmin disse que o partido deve apoiar a Lava Jato e confiar na Justiça. O governador paulista, que também é citado na Lava Jato, defendeu ainda a antecipação de eleições no PSDB para eleger uma nova direção. Nos bastidores, Alckmin se movimenta para ocupar espaços do grupo de Aécio.
O mineiro está licenciado da presidência nacional da legenda desde que foi atingido pela delação de executivos da JBS.
No discurso, Alckmin ainda defendeu a conclusão da votação das reformas trabalhista e da Previdência no Congresso Nacional.
O movimento de desembarque visto na semana passada entre tucanos, como Tasso, foi minimizado pela atuação dos que defendem alianças com o PMDB em 2018 e pelo temor de que o rompimento com Temer resulte na cassação de Aécio.
A eleição do substituto definitivo de Aécio no comando do PSDB está prevista para maio do próximo ano. Como antecipou em 8 de junho o "Estadão", senadores e deputados querem antecipar o pleito para o segundo semestre deste ano. A estratégia é tirar o tucano mineiro do foco político para que a legenda possa tentar "renovar" sua imagem para as eleições de 2018. (Com Agência Estado)


