Líderes do PMDB ironizam PFL em encontro com FHC
Agência Folha
De Brasília
Uma brincadeira feita pelos líderes do PMDB em plena reunião com FHC para tratar do reajuste do salário mínimo deixou patente o isolamento do PFL na decisão sobre o novo valor. O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), fazia seu pronunciamento explicando que teria de consultar o partido sobre a solução encontrada pelo governo quando o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), enviou o seguinte bilhete ao senador Jader Barbalho (PA), presidente nacional e líder da legenda no Senado: Quem será que eles vão consultar?
Devolvendo o bilhete, Jader respondeu: Quem sabe o Zé Galo? Geddel tratou de mostrar a resposta para os demais líderes que estavam à sua volta. Todos tiveram de conter o riso. Os líderes tucanos adoraram a piada. Fernando Henrique Cardoso percebeu que havia algo no ar, mas não passou recibo. Zé Galo é o nome fictício de uma pessoa que diz vários impropérios, faz xingamentos e usa palavras grosseiras por meio de uma gravação.
Quem apresentou o Zé Galo ao PMDB foi o líder do governo no Congresso, deputado federal Arthur Virgílio (PSDB-AM), na ante-sala do gabinete de FHC, antes da reunião. Usando os celulares, os líderes se revezavam ouvindo a gravação.
O deboche feito por Jader e Geddel deu um tempero a mais à aproximação entre PMDB e PSDB para isolar o PFL, acusado de provocar desgaste ao governo antecipando a discussão sobre o reajuste do mínimo e defendendo um valor equivalente a US$ 100,00.
Os pefelistas presentes no encontro Inocêncio e Hugo Napoleão passaram a reunião trocando olhares e sinais. E pediram ao presidente para falar juntos. Em francês, FHC respondeu que não havia problema e perguntou qual deles daria início. Também em francês, Napoleão respondeu que seria Inocêncio. Os dois repetiram o mesmo discurso: que o PFL continua na base governista, mas que precisaria consultar os dirigentes pefelistas porque o partido havia dado muita ênfase ao mínimo de US$ 100,00. FHC corrigiu Hugo Napoleão, quando o líder do partido no Senado citou que o salário mínimo defendido pelo PFL era de R$ 180,00. O presidente disse que, pela cotação do dólar naquele dia, o mínimo pretendido pelo PFL era de R$ 171,00.





