Por pressão do presidente do Senado Ramez Tebet (PMDB-MS), o governo reuniu-se ontem com os líderes do MST, que ocuparam anteontem o Auditório Petrônio Portella, do Congresso, em Brasília. Coube ao presidente do Incra, Sebastião Azevedo, receber a liderança do MST, que foi acompanhado pelos senadores petistas Heloísa Helena (AL) e Eduardo Suplicy (SP). A reabertura das negociações foi uma vitória do movimento que conseguiu apoio do Congresso ao ocupar o auditório e ameaçar permanecer no local.
Os manifestantes querem discutir pauta que inclui a renegociação da dívida de R$ 1,127 bilhão com o extinto Procera, programa destinado a assentados. Os movimentos querem ainda a desapropriação de terras para o assentamento de 85 mil acampados, a concessão de crédito para famílias que já receberam a terra, mas ainda não ganharam verbas para começar o plantio. Além disso, pedem a liberação total do orçamento para convênios, entre os quais o de alfabetização nos assentamentos.
O governo alega que a dívida do Procera já está sendo renegociada no âmbito do Conselho Monetário Nacional. Mas o coordenador nacional do MST, Gilmar Mauro, explicou que, antes de uma decisão sobre a rolagem do passivo, é preciso decidir o destino do fundo contábil que administrava os recursos do Procera. Segundo o secretário de Agricultura Familiar do Ministério de Desenvolvimento Agrário, Gilson Bittencourt, realmente restou uma dívida que precisa ser zerada para que a renegociação comece.
Antes de entrar na reunião com o MST, o presidente do Incra disse que este problema está sendo analisado. Enquanto o governo reunia-se com uma comissão, no início da noite de ontem, um grupo de sem-terra permanecia do lado de fora do prédio do Incra gritando frases, como ''Fora, já, o FHC e o FMI''. Policiais faziam segurança da portaria do prédio, mas o clima era de tranquilidade.

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