Curitiba - O esforço do senador Roberto Requião (PMDB) para montar uma aliança de partidos de oposição ao governo de Jaime Lerner (PFL) está esbarrando na indefinição dos rumos que o PMDB nacional pretende tomar na eleição para presidente deste ano. O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), afirmou ontem que uma aliança só será possível caso haja acordo entre os dois partidos no plano nacional.
Os dois parlamentares almoçaram juntos ontem para discutir o cenário político. Embora tenha considerado a conversa proveitosa, Brandão acredita que é muito cedo para discutir uma chapa conjunta entre as duas chapas. ‘‘Não sabemos ainda qual será a postura da Executiva Nacional do PMDB. Enquanto eles não definirem sua postura na eleição à presidência, fica difícil qualquer entendimento a nível estadual’’, analisa. Nacionalmente, o partido de Requião está dividido entre lançar uma candidatura própria ao Palácio do Planalto ou optar por uma aliança com PSDB ou PFL.
Além do PSDB, Requião também tem mantido conversas com os líderes do PPS e do PT paranaenses. Apesar de reconhecer que o senador faz oposição a Lerner, o presidente do PPS, Rubens Bueno, também condiciona uma possível aliança à definição do PMDB nacional. ‘‘A postura do nosso partido é claramente de oposição ao governo, tanto nacional quanto estadual. Se o PMDB conseguir convencer sua base a seguir o mesmo caminho, poderemos avançar nas negociações’’, afirmou Bueno.
Com o PT, a composição de uma chapa única para o governo do Estado no 1º turno parece ainda mais distante. Para o presidente do partido, André Vargas, a disposição de Requião em encabeçar uma aliança para chegar ao Executivo impossibilita um acordo antes do 2º turno da campanha. ‘‘Não abrimos mão de termos um candidato próprio. E não faremos alianças com partidos que façam oposição à candidatura de Lula à presidência’’, resume Vargas.
Mesmo com as dificuldades para formar uma chapa de oposição a Lerner, Requião acredita que as conversas com os dirigentes dos outros partidos estão sendo proveitosas. ‘‘O cenário deve começar a se definir apenas a partir de março. Mas desde já precisamos discutir um projeto para reconstruir o Paraná com todos os partidos’’, disse o senador, que classificou como ‘‘estimulante’’ o almoço que teve com Hermas Brandão.
Segundo ele, a situação do PDT de Alvaro Dias no Estado também foi discutida. ‘‘O PDT paranaense está praticamente isolado, agora que o Brizola decidiu lançar sua candidatura à presidência’’, analisou.

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