Os líderes governistas na Câmara ficaram do lado do Senado na briga entre os presidentes do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), em torno da reforma administrativa. Eles tentarão convencer Temer a mudar de idéia e desistir de cobrar o retorno à Câmara da reforma administrativa alterada pelos senadores, assinando com Magalhães a promulgação da emenda.
A fórmula encontrada para pôr um fim na crise entre Câmara e Senado exige de Temer assinar a própria derrota. ‘‘A atitude do presidente Antônio Carlos Magalhães foi correta e o presidente Michel Temer deve dizer que as Casas têm autonomia para decidir’’, defendeu o líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE), ao deixar ontem a residência do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, onde se reuniram ministros e lideranças aliadas para tratar da reforma previdenciária. ‘‘Como homem público que é e grande brasileiro, Temer não vai se negar a assinar a promulgação da emenda’’, completou.
‘‘Inocêncio mudou de posição em 24 horas’’, reagiu o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e um dos amigos mais próximos de Temer, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). O parlamentar referia-se ao fato de Inocêncio ter desistido da briga com Magalhães pelo mesmo assunto. Desde que o senador afirmou que a retirada de privilégio de magistrados do texto da reforma administrativa não implicaria o retorno para a Câmara, Inocêncio reagiu e afirmou que isto dificultaria os planos da Câmara para votar a reforma previdenciária. Enquanto Temer insistia que qualquer alteração na emenda da Previdência exigiria nova votação dos senadores.
‘‘Se é popular retirar privilégio dos magistrados, aqui será mais popular ainda retirar contribuição dos inativos; portanto, queremos ser liberados para mudar a reforma previdenciária’’, cobrou Alves. Aceitando o argumento do Senado, os líderes na Câmara poderão retirar o principal obstáculo da reforma previdenciária _ a cobrança de contribuição dos inativos do setor público - e, com isso, quebrar a resistência da base.
Temer assistiu à articulação dos governistas do Palácio do Planalto, onde ficará como presidente até o retorno de Fernando Henrique Cardoso da Suíça, no fim de semana. Temer preferiu manter silêncio sobre o assunto, por enquanto. Avisou que só vai se pronunciar sobre a posição com relação à reforma administrativa quando ela for votada pelo plenário do Senado. A votação está marcada para o dia 11.
Magalhães disse ontem que não pretende entrar em confronto com a Câmara, nem estimular o atrito com deputados contrários ao procedimento adotado pelos senadores para retirar a aposentadoria especial dos magistrados do texto da reforma administativa. Segundo ele, o Senado encerrou o assunto, ciente de que agiu da melhor forma possível, dentro do previsto pelo regimento. ‘‘Nós, aqui, achamos que temos razão’’, afirmou. ACM previu que a Câmara vai examinar a questão com independência e, ao fim, será encontrado ‘‘o melhor caminho’’.

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