Da Redação
Contrariando políticos do Estado, o retorno do ex-presidente Fernando Collor de Mello à vida pública foi lamentado ontem por representantes de pequenos partidos, com forte representação no Paraná. Representantes consultados pela Folha criticam o ressurgimento do ex-presidente em um pequeno partido porque demonstra que muitas legendas servem de acomodação para políticos. Collor, agora filiado ao PRTB, confirmou que está retornando à política durante um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, anteontem à noite.
‘‘Quem vai decidir sempre é o eleitor. Nós lamentamos que um partido admita Collor em seus quadros’’, afirmou o deputado federal e presidente estadual do PPS, Rubens Bueno. Segundo ele, o ressurgimento de Collor em um pequeno partido – quando se discute a sobrevivência das pequenas legendas – mostra que infelizmente são comuns o aparecimento de partidos para acomodar situações e políticos.
Para o ex-deputado federal Ricardo Gomyde – da executiva estadual do PCdoB – o retorno do ex-presindente Collor não prejudica as legendas menores. ‘‘Ele está fazendo como há alguns anos, mas certamente será impugnado’’, afirmou ele. Ele criticou o fato de partidos surgirem da noite para o dia. ‘‘Mas de qualquer maneira não podemos reduzir a atividade partidária, afinal é o eleitor que tem de decidir’’, afirmou. De acordo com Gomyde, o Brasil conta atualmente com 30 legendas.
Já para o presidente estadual do PSB do Paraná, Severino Nunes de Araújo, o retorno de Collor foi encarado com naturalidade. ‘‘Democracia é isto, mesmo que eu discorde das convicções dele’’, afirmou. De acordo com Araújo, cabe às legendas menores se diferenciarem, monstrando seus princípios ideológicos. Ele disse que o PPS defende o pluralismo partidário. ‘‘Por isso só podemos combater o ex-presidente, dentro dos parâmetros democráticos’’, afirmou ele. (P.L.)

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