Líderes buscam presença e votos
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Decidida a convocação extraordinária do Congresso, de 1º a 25 de julho, os líderes aliados já começaram a mobilizar os parlamentares para garantir quorum e os votos necessários à aprovação de projetos de interesse do governo. Apesar dos protestos dos próprios governistas que chegaram a assinar um manifesto contra a convocação, nem as oposições duvidam da presença dos parlamentares em Brasília. O desafio maior é garantir a vitória do Palácio do Planalto em votações polêmicas como a quebra da estabilidade do funcionalismo público.
O maior trunfo do governo para garantir a presença dos parlamentares são as normas administrativas e a própria Constituição. Além do prejuízo financeiro, com o registro das ausências no contracheque, os parlamentares ficam sujeitos à cassação do mandato caso faltem a um terço das sessões plenárias da convocação. É que uma convocação extraordinária tem o mesmo valor legal de uma sessão legislativa, ou seja, um ano de trabalho parlamentar.
Mas não é só com isso que os aliados contam. O presidente do PFL, deputado José Jorge (PE), lembra que três acontecimentos favorecem o governo hoje: a disposição do ex-prefeito Paulo Maluf de ajudar o presidente Fernando Henrique Cardoso a aprovar as reformas, a pacificação do PMDB depois da nomeação dos ministros da Justiça e dos Transportes e o comando único dos governistas, agora coordenados pelo novo líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães.
Isso já deve garantir maior presença e boa vontade do PPB do Maluf e do PMDB que emplacou dois parlamentares no Ministério, destacou José Jorge. O acordo para aprovar a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) também dá esperança de sucesso aos governistas. Afinal, todos os líderes aliados concordaram com a concessão do governo, que aceitou ampliar de 40 para 50% as compensações para os prejuízos que o FEF causa às finanças dos municípios. Mas ainda teremos muito o que trabalhar para aprovar as reformas, admitiu José Jorge. Teremos que investir intensamente na garimpagem de votos, para não perder na reforma administrativa e no FEF, resumiu o tucano Arnaldo Madeira (SP).
O bloco das oposições, que estava mobilizado contra a convocação, reuniu-se ontem e, sem alternativas diante do fato consumado do trabalho extra em julho, decidiu ajudar o governo.


