Líderes admitem: é impossível evitar CPI
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quarta-feira, 21 de março de 2001
Christiane Samarco Agência Estado 
A crise política produziu ontem um consenso entre os principais líderes adversários e aliados do governo. Depois de o presidente do Congresso e nacional do PMDB, Jader Barbalho (PA), ter anunciado da tribuna que assinaria a comissão parlamentar de inquérito (CPI) ampla para apurar corrupção no País, os líderes mais experientes do PSDB, PFL, PMDB e governo não têm mais dúvidas. Eles avaliam que o risco iminente da CPI ser instalada no Senado é tamanho, que evitá-la se tornou uma missão praticamente impossível para o Palácio do Planalto.
A situação está fora de controle no Senado, resumiu o líder do PPS, senador Paulo Hartung (ES), repetindo a avaliação feita, nos bastidores, por cardeais do PMDB, PFL, PSDB e até por um ministro de Estado. Menos de 24 horas depois de o presidente Fernando Henrique Cardoso jantar com a bancada de senadores do PSDB, cobrando uma atuação firme do partido contra a instalação da CPI, nem os tucanos acreditam que o governo terá condições de a evitar. O culpado disso é o próprio governo porque a coordenação política do Planalto, simplesmente, não funciona, afirmou um líder tucano com trânsito no gabinete presidencial.
Na verdade, pouca coisa mudou na lista de adesões à CPI nas últimas 24 horas e, como o PMDB anunciou que só hoje deverá reunir a bancada para reavaliar a situação, o governo ganhou tempo para agir e evitar que o inquérito seja aberto. O problema é que o PMDB assinou o manifesto dos líderes aliados contra a CPI e, se houver uma revisão de posições, os outros partidos podem querer fazer o mesmo, advertiu o primeiro vice-presidente do Senado, Edison Lobão (PFL-MA).
O mais grave, na opinião de um líder informal do PSDB, é que o governo subestimou a crise e fica difícil montar uma operação de última hora. Afinal, afirma o parlamentar, falta ao governo um operador de peso que possa reverter esta situação e conter o PMDB a esta altura, quando há um convencimento de que a guerra do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) não é apenas contra Jader, mas contra todo o partido. O ACM assinou a CPI para transformar todos, peemedebistas e governo, em culpados, como se a negativa do Planalto e dos aliados fosse apenas uma forma coletiva de fugir do inquérito, afirma um líder peemedebsita.
Na conversa da véspera com os senadores, Fernando Henrique argumentou que a crise política está realmente no Senado, daí a importância da bancada dele numa postura firme contra a CPI. Não que ele entendesse um inquérito no Congresso como prejudicial à economia, em si, mas que tudo o que há para ser investigado está sendo, nos canais institucionais, como o Ministério Público (MP) e a Justiça. Não há razões para dispensar as instituições que estão funcionando normalmente, e assumir este papel, paralisando as atividades do Congresso, disse o presidente.
Mais do que isto, ele contou que havia conversado com Jader, reafirmando que quem assinasse a CPI estaria fora do governo, e mencionou a idéia de mandar-lhe uma carta na manhã seguinte para facilitar o gesto contra o cepeísmo. O presidente jantou com a bancada errada, avaliou Hartung, ontem à tarde, certo de que a platéia da confraternização e dos recados deveria ter sido a bancada do PMDB, e não os tucanos.
A preocupação maior com o Senado decorre do fato de que, alcançadas as 27 assinaturas de apoio, a instalação da CPI é automática.


