Líderes de partidos de oposição afirmaram ontem que as medidas anunciadas pelo governo para combater a crise econômica, aliadas à paralisação do Congresso, servem apenas para tentar salvar o projeto de reeleição do presidente Fernando Henrique. ‘‘O presidente faz campanha, a equipe econômica toma conta do País olhando para Washington e os presidentes da Câmara e do Senado mantêm o Congresso inoperante’’, disse o líder do PT na Câmara, Marcelo Déda (SE), que ontem se reuniu com colegas do PSB, PCdoB e PPS.
Para ele, a declaração de que se tentará um pacto para aprovar a reforma tributária após a eleição ‘‘é uma cortina de fumaça’’. A oposição sustenta que é impossível fazer uma reforma tributária num prazo de dez dias após a eleição devido à complexidade dos temas envolvidos na discussão. Por isso, a reforma ficaria para a outra legislatura.
Bll Clinton também foi citado nas críticas. ‘‘Não podemos depender da libido do Clinton pois, se aparecesse outra estagiária, a angústia poderia estar tomando conta do BC’’, afirmou Déda. Anteontem, o presidente norte-americano fez um pronunciamento apoiando empréstimos para os países latino-americanos, o que acalmou o mercado.
Os líderes da oposição foram ao STF onde entregaram uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a MP que fez cortes no orçamento. O PDT pretendia encaminhar um mandado de segurança para garantir acesso ao orçamento. Segundo os deputados, o orçamento foi recebido em 31 de agosto pelo presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães, mas até ontem não tinha sido publicado na imprensa oficial.
De acordo com a assessoria de Magalhães, o orçamento foi encaminhado nesta semana para a gráfica oficial. Além de Magalhães, o presidente da Câmara, Michel Temer, foi criticado pelos deputados da oposição. Para os parlamentares, os dois presidentes deveriam convocar o Congresso para discutir com os ministros da área econômica as medidas tomadas pelo governo para combater a crise e as reais dimensões do problema.
Mas Déda ponderou: ‘‘O que se esperava de duas pessoas que presidem a Câmara e o Senado é que não atuassem como cabos eleitorais.’’ E completou: ‘‘Não votamos no Antônio Carlos Magalhães e no Michel Temer porque entendemos que os dois não atuariam para assegurar a independência da Casa’’.

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