As notícias desencontradas de ontem, sobre o processo de saneamento do Banestado, causaram inquietação nos meios políticos do Paraná. Lideranças de situação e de oposição iniciaram a costura de uma frente suprapartidária para defender o banco de um processo de privatização. Os senadores José Eduardo de Andrade Vieira (PTB), Roberto Requião (PMDB), Osmar Dias (PSDB) e o ex-governador Álvaro Dias (PSDB) sinalizaram disposição de defender a manutenção pelo Paraná do controle do Banestado.
A movimentação começou por volta do meio-dia. Ângelo Vanhoni (PT) fez os primeiros contatos com os senadores. O deputado, que já foi funcionário do Banestado, disse ter recebido um relato, de alguns diretores do banco, da conversa entre o governador Jaime Lerner (PFL) e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, na última quarta-feira, em Brasília. De acordo com o relato, o BC sinalizou disposição de privatizar o Banco.
‘‘Não podemos aceitar que um governo incompetente e corrupto entregue o patrimônio do povo do Paraná ao Banco Central ou a uma instituição estrangeira’’, afirmou Requião. Ele lembrou que o Paraná perdeu o Bamerindus para uma instituição estrangeira (o HSBC) porque ‘‘o atual governo não aceitou incorporar a instituição ao banco estadual’’. ‘‘Agora, por absoluta incompetência administrativa, está entregando o patrimônio público para ser liquidado pelo BC ou vendido para uma instituição financeira.’
Malucelli O empresário Joel Malucelli, presidente do Grupo J.Malucelli, que reúne o Paraná Banco e outras 17 empresas, disse ontem, em Curitiba, que é candidato a assumir o controle do Banestado, caso se confirme a tendência de privatização da instituição. Ele informou já ter sido procurado por comissões de funcionários do banco e por vários políticos, que preferiu não identificar, para que assuma publicamente sua condição de comprador do Banestado em potencial.
‘‘Depois que o Paraná perdeu o Bamerindus, é importante que as forças políticas e econômicas do Estado se unam para salvar o Banestado’’, afirmou Joel Malucelli. A se confirmarem rumores do mercado, de que o banco teria mesmo de ser saneado e privatizado, Malucelli, por meio do Paraná Banco, seria candidato a adquirir o controle do banco ou mesmo a integrar uma espécie de ‘‘pool’’ de salvação. ‘‘O banco tem de continuar sendo do Estado do Paranᒒ, assinalou.
Segundo Joel Malucelli, o trabalho do governador Jaime Lerner, ao acelerar o processo de industrialização do Paraná, corre o risco de não obter os efeitos previstos caso o Banestado passa a mãos não-paranaenses. (L.D.)

mockup