Lideranças justificam negociação na Câmara
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domingo, 04 de janeiro de 2009
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
As lideranças políticas que comandaram a escolha do prefeito interino de Londrina, Padre Roque (PTB), e o presidente provisório da Câmara Municipal, Jairo Tamura (PSB), enfrentaram as críticas da população sobre a forma de condução das articulações com o discurso de que a cidade precisa de união. Na visão de leitores que escreveram para a FOLHA, a mudança de posicionamento de alguns vereadores após a entrada em cena do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT), dos deputados federais Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Alex Canziani (PTB) e do deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB) revelou que o ''toma-lá-da-cá'' continua presente na vida política londrinense.
A reação das lideranças veio nos discursos durante a posse do prefeito interino, na sexta-feira à tarde. ''É claro que teve acordo. Mas acordo pelo bem da cidade, para Londrina melhorar, enxugar a administração. A cidade sai valorizada desse processo'', afirmou Cheida.
Alex Canziani também citou a aliança PT/PSDB/PTB/PSB/PMDB com conotação positiva. ''O que importa hoje não são os partidos, mas a cidade. Chegamos a um consenso para redução dos cargos que podem ser preenchidos'', disse. O petebista citou as articulações suprapartidárias, em meados de dezembro, que culminaram na liberação de R$ 23 milhões do orçamento federal como exemplo de atuação em favor da cidade. ''Ali, houve um pacto por Londrina'', disse.
Hauly disse que as articulações foram feitas ''sem politicagem e sem fofoca''.''Precisamos amadurecer nosso aprendizado democrático e fazer um pacto pela governabilidade.''
O ex-prefeito Nedson também defendeu a aliança e ressaltou que as decisões foram viabilizadas pela chamada fidelidade partidária. ''Agora é fidelidade mesmo. Quem não estiver satisfeito, que saia. Mas saiba que vai perder o mandato'', disse.
Controle
O cientista político Mário Sérgio Lepre acredita que a política sempre será feita na base da negociação, mas se mostrou descrente de que a fidelidade partidária esteja mudando o patamar ético das articulações.
''Não tenha dúvida de que sempre haverá um grau de troca de interesses; isso acontece em todas as socidades e a própria vida humana é assim'', explicou. ''Mas isso deveria ter uma base menos mercantilista.''
Sobre as negociações ocorridas ao longo da semana na Câmara, Lepre afirmou que concorda com as críticas dos eleitores. ''A fidelidade partidária acabou saindo o contrário do ideal. Na ausência de uma base verdadeira nos partidos, ela acabou permitindo o controle de quem está por cima. Na prática, os dirigentes fazem a pressão e dizem o que é que se deve fazer. Partido no Brasil é fulano, fulano e fulano'', avaliou.
O cientista político acrescentou que a verdadeira fidelidade deveria passar pelo fortalecimento das camadas partidárias mais próximas da população.
O sociólogo Marco Rossi também viu com reserva o formato das negociações para escolha dos novos mandatários. Ele concorda com a visão de que a fidelidade partidária somente referendou as decisões dos caciques políticos. ''O que prevalece são os interesses particulares e as barganhas de bastidores. Os dois vereadores do PTB (Padre Roque e Rony dos Santos Alves) e o vereador do PMDB (Tito Valle) somente referendaram a determinação da cacicada'', afirmou. ''No Brasil isso é comum porque os partidos não funcionam.''
Para Rossi, ''pegou mal'' com a população o fato dos vereadores terem assinado compromisso de apoio à chapa de Sandra Graça (PP) e descumprirem o compromisso. ''Isso sempre acontece, mas nesse caso a imprensa tinha noticiado. Enquanto seu nome não era veiculado para presidente, o Padre Roque teve uma posição. Quando isso aconteceu, a articulação mudou. Nossos partidos não têm programas, apenas interesses. Se as eleições fossem daqui a dez dias, as circunstâncias mudariam e o resultado provavelmente seria outro'', avaliou.


