Curitiba - Durante entrevista à imprensa ontem, lideranças do PT que disputam o comando da legenda nas esferas estadual e nacional afirmaram que defendem a candidatura própria da sigla na maioria dos Estados brasileiros, inclusive no Paraná. A posição, no Estado, revela um conflito com a atual cúpula do PT, que busca a aliança com o senador Osmar Dias (PDT) para a disputa ao governo do Estado em 2010. ''Osmar é inimigo da classe trabalhadora. O PT precisa romper as alianças com candidatos de direita'', afirmou Serge Goulart, candidato à presidência nacional do PT, pela chapa ''Virar a esquerda, reatar com o socialismo''.
A aproximação com Osmar Dias tem sido costurada pela atual presidente do PT no Paraná, Gleisi Hoffmann, a pedido do presidente Lula, que tenta construir um palanque estadual para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Integrante da base aliada do governo federal no Senado, o nome do pedetista, contudo, está associado a setores conservadores e encontra resistência dentro do PT. Osmar, por outro lado, ainda não ''bateu o martelo'' na união com o PT.
Para o deputado estadual Tadeu Veneri, candidato à presidência do PT no Paraná pela chapa ''Luta Socialista'', a tese da candidatura própria nos Estados é uma forma de recuperar o ''protagonismo'' da legenda. ''O PT tem que se colocar como partido antes da chegada de uma decisão de cima para baixo'', disse ele.
PMDB + PT
Mas, durante a entrevista, os filiados - todos ligados a chapas representativas da ala extrema esquerda do PT - não foram unânimes ao serem questionados sobre o acordo nacional entre petistas e peemedebistas, firmado na noite de terça-feira em Brasília. ''Somos radicalmente contra essa aliança no mérito e no método. Eles passaram uma régua no encontro nacional do partido, marcado para 28 de fevereiro. É inédito na história do PT'', afirmou Serge Goulart.
Para Carlos Lima, representante do candidato à presidência do PT Geraldo Magela, a cúpula do PT está colocando ''uma camisa de força no partido''. ''Quando isso acontece, perde-se a militância. A base vira as costas para o partido. O PT não se constrói em Brasília'', criticou ele.
Já Valter Pomar, integrante da Executiva nacional do PT e representante da candidata à presidência nacional do PT Iriny Lopes, disse que prefere que o PMDB ''fique conosco''. ''Tem um pedaço do PMDB que quer fazer uma aliança com o PSDB. Então eu prefiro que ele fique conosco para que a gente tenha mais chance de ganhar a eleição'', argumentou ele.

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