Lideranças do Paraná cobram diálogo após reeleição de Lula
Lideranças apontam desafios para a relação entre o governo federal e o Paraná e defendem que divergências políticas não prejudiquem a população
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Lideranças apontam desafios para a relação entre o governo federal e o Paraná e defendem que divergências políticas não prejudiquem a população

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou Flávio Bolsonaro (PL) numa virada inédita no segundo turno da disputa presidencial, provocou reações distintas entre lideranças políticas de Londrina e do Paraná. Enquanto o deputado federal eleito Marcelo Belinati (PP) defendeu a cooperação entre os governos federal e estadual, o prefeito de Cambé e presidente da Amepar (Associação dos Municípios do Médio Paranapanema), Conrado Scheller (PSD), manifestou preocupação com a divisão do país. O senador eleito Filipe Barros (PL) publicou críticas ao resultado eleitoral.
O cenário também coloca em evidência os desafios da relação institucional entre o governo federal e o Paraná, onde Sergio Moro (PL) foi eleito governador com uma posição de oposição a Lula. Entre as lideranças ouvidas, a expectativa é de que as divergências políticas não impeçam o atendimento às demandas da população, embora os questionamentos sobre o resultado das urnas também tenham marcado as manifestações da oposição.
Ex-prefeito de Londrina, Belinati afirmou que o resultado de uma eleição faz parte do processo democrático e defendeu que os brasileiros torçam pelo sucesso do presidente eleito, independentemente do candidato escolhido nas urnas. Para ele, Lula deverá governar para todos os cidadãos, inclusive para aqueles que votaram em seu adversário. “Importante agora é que torçamos para que o presidente eleito vá bem, porque seria bom para todos nós”, afirma.
Com o início do mandato na Câmara dos Deputados em 2027, ele diz que pretende manter uma atuação independente em relação ao governo federal, sem vincular seu posicionamento parlamentar ao resultado da disputa presidencial. “Sempre tive uma atitude independente de governo. O que me guia é: se estiver bom para o povo, voto a favor. Se for ruim, sou contra”, promete.
Belinati acrescentou que pretende respeitar as instituições, mas sem abrir mão da independência política. Na avaliação dele, a relação entre Lula e Moro deverá priorizar os interesses do Paraná, apesar das divergências pessoais e políticas entre os dois.
“Antes da pessoa física, seja o governador ou o presidente, existe a instituição, que é o governo do Estado e a Presidência da República. Então, torço que, mesmo eles não se gostando como pessoa, passem por cima disso pelo bem do nosso Estado. Que eles trabalhem em conjunto pelo bem da população”, disse.
O ex-prefeito de Londrina demonstrou confiança de que a experiência dos dois políticos contribuirá para a construção de uma relação institucional entre os governos federal e estadual.
DIVISÕES
O prefeito de Cambé e presidente da Amepar, Conrado Scheller, avaliou que o resultado da eleição demonstra a permanência de divisões políticas, regionais e econômicas no Brasil. Ele afirmou que o cenário é preocupante e cobrou o cumprimento das promessas feitas por Lula durante a campanha. “Mais uma vez, o resultado da eleição demonstra um país dividido, não só regionalmente, mas também economicamente, e nós sabemos os motivos dessas divisões”, afirma.
Apesar das críticas, Scheller reconheceu a vitória de Lula e defendeu o respeito à escolha dos eleitores. “Do meu ponto é respeitar a vontade das urnas, mesmo que haja divergência, mas as pessoas votaram, escolheram e ele é o novo presidente. Que Deus abençoe esse mandato”, diz o prefeito.
No campo das promessas de campanha, Scheller ressalta a necessidade de cumprir as propostas principalmente nas áreas de segurança pública e economia. Entre as expectativas citadas por Scheller estão o endurecimento das regras contra criminosos, a recuperação do poder de compra dos trabalhadores e a ampliação da segurança jurídica no país.
MAIS RECURSOS FEDERAIS
Na condição de presidente da Amepar, Scheller também cobrou uma relação institucional com o governo federal e a ampliação dos repasses de recursos aos municípios. A associação reúne 22 cidades do Norte do Paraná e, segundo ele, mantém uma atuação voltada à defesa dos interesses municipais, independentemente das posições políticas individuais dos prefeitos.
O dirigente argumentou que os municípios concentram a prestação dos serviços públicos e, por isso, precisam receber uma parcela maior dos impostos arrecadados. “É muito Brasília e pouca cidade, então esse recurso deveria voltar para que o prefeito tivesse condição de atuar dentro da necessidade de cada município”, afirmou.
Scheller disse que a Amepar pretende manter o diálogo com o governo federal para apresentar as reivindicações das cidades e contribuir com a formulação de políticas públicas. Segundo ele, os prefeitos conhecem de perto as deficiências dos serviços e podem colaborar na busca por soluções.
O prefeito também demonstrou preocupação com a relação entre Lula e Moro. Para ele, a animosidade entre os dois representa um novo desafio político para o Paraná, que não pode ser prejudicado por divergências pessoais ou partidárias.
QUESTIONAMENTO
Senador eleito, Filipe Barros também se manifestou nas redes sociais durante a apuração dos votos, por volta das 20h de domingo. Em publicação no X, o parlamentar fez acusações envolvendo o PT e questionou a condução de procedimentos relacionados ao processo eleitoral. “Um crime eleitoral de petistas levou o PT a fazer um pedido que foi atendido por um petista e beneficiou o PT. Está na cara que tem coisa errada nisso. Essa tentativa de golpe precisa ser investigada!”, escreveu.
Procurado por meio da assessoria de imprensa, o prefeito de Londrina, Tiago Amaral (PSD), não havia se manifestado sobre o resultado do segundo turno até a tarde desta segunda-feira (26).


Luis Fernando Wiltemburg
Jornalista



