Lideranças divergem sobre o mínimo
Cláudia Lopes
De Londrina
Lideranças de Londrina e representantes de sindicatos de trabalhadores da região não concordam com a criação de dois salários mínimos distintos um para previdência e setor público e outro para iniciativa privada conforme proposta defendida por líderes dos partidos no Congresso Nacional. A maioria dos londrinenses ouvidos ontem pela Folha defende valores de R$ 180 a R$ 260.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, disse que o setor produtivo enfrenta as mesmas dificuldades do governo para remunerar seus trabalhadores. Não há por que ter dois mínimos. Se concordar com isso, o presidente Fernando Henrique estará provando à sociedade que não tem o poder que deveria, disse Orsi, referindo-se à pressão exercida pelo senador Antonio Carlos Magalhães para tentar fixar o mínimo em US$ 100. O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edson Ponti, defende um salário mínimo de R$ 260, mas alega que os agricultores não poderiam pagar este valor no momento. Com a mudança cambial, o poder aquisitivo da população caiu pela metade. É preciso melhorar a renda para que o povo possa voltar a consumir. Ele admite dois mínimos diferentes, desde que o valor do menor seja de R$ 260.
O presidente da Asapel Associação Beneficente e Cultural, dos Aposentados e Pensionistas de Londrina, Moacyr Piantavini, não acredita que a diferença de R$ 30 entre os dois mínimos propostos contribua para aumentar o rombo da previdência. O rombo se deve a problemas de gestão, desvios de verbas e sonegação no recolhimento de INSS.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Londrina, Denilson Pestana, um mínimo de R$ 180 já seria um grande avanço para os trabalhadores brasileiros. Se os valores fossem diferentes, ao se aposentar o trabalhador teria um prejuízo maior ainda, apontou. Na região, a categoria ganha em média R$ 350 por mês. Apesar de agora não fazer diferença para nossa categoria, o novo mínimo vai contribuir para uma melhoria do piso numa próxima mesa de negociação.
O presidente do Sinduscon, Clóvis Coelho, defende um salário mínimo de R$ 230. O valor tem que ser corrigido dentro de uma condição que o País suporte. Mas não estamos conseguindo crescer por causa da falta de renda, disse. Uma das soluções, segundo ele, seria a criação de programas para aumentar a geração de mão-de-obra. Se as empresas contassem com financiamentos com juros baixos para construir, iriam gerar mais empregos. Com isso, o setor também venderia mais e poderia remunerar melhor seus trabalhadores, alegou.





