Lideranças de partidos criam frente de oposição no Paraná
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terça-feira, 06 de novembro de 2007
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Representantes de quatro partidos decidiram ontem criar uma Frente de Oposições no Paraná. O intuito do movimento encabeçado por lideranças do PPS, PDT, DEM e PSDB, é denunciar os casos de corrupção no governo Roberto Requião (PMDB) e mobilizar os mais diversos segmentos para cobrar a devida aplicação de recursos financeiros em setores que estariam sucateados como saúde e segurança pública.
O primeiro passo seria orientar as bancadas estaduais a darem sustentação ao pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a corrupção no governo estadual.
A idéia ainda precisa ser consolidada. As lideranças dos partidos selaram acordo de procurarem estabelecer diálogo com as comissões executivas estaduais e municipais. Mais do que isso: terá que passar pelos parlamentares, muitos fazem parte de partidos de oposição - mas estão alinhados com o governo Requião. ''O que queremos é nos fortalecer internamente nos partidos, mesmo sabendo que teremos dificuldades e junto com os sindicatos dos funcionários públicos'', disse o deputado estadual Osmar Bertoldi, presidente do DEM em Curitiba.
O presidente do PSDB do Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni, disse que está agendando para esta semana um debate com o funcionalismo com o intuito de mostrar as perdas que eles terão com a gestão ''temerária'' do atual governo. Não teriam sido repassados até agora para a Previdência Social por parte do governo do Estado um montante de R$ 800 milhões. Até o final do governo Requião, os valores somariam R$ 1,5 bilhão. ''Este governo vai entregar a ParanaPrevidência falida, deficitária. Vai ser pior ainda do que no primeiro governo de Requião, em que o fundo previdenciário foi extinto e o dinheiro usado em prol do caixa estadual.''
O presidente do PPS do Paraná, Rubens Bueno, destacou as notícias de que o Tribunal de Contas (TC) estaria investigando irregularidades dentro do governo Requião. Um dossiê teria sido montado. ''A frente tem preocupação com a gestão pública, com a crise moral deste governo. É uma frente de salvação do Paraná - um estado que está sucateado e sem condições de sobrevivência'', complementou Bueno. Também participaram da reunião Jorge Bernardi (presidente do PDT de Curitiba) e Marcelo Rangel (deputado pelo PPS).
O líder do governo na Assembléia Legislativa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), ironizou a atitude da oposição. ''Eles querem um terceiro turno. É uma reunião de ressentidos'', disse o peemedebista em relação ao resultado das eleições do ano passado. Para ele, a reunião da oposição foi ''um fracasso''. ''Quem tem votos não foi à reunião'', atacou ele, sobre a ausência do senador Osmar Dias (PDT), principal adversário de Requião nas urnas em 2006. O PDT foi representado pelo vereador Paulo Bernardi.
A reunião também acabou gerando um mal-estar entre deputados estaduais e federais do PP. A legenda não foi convidada para participar do encontro, apesar de ter feito parte da aliança em torno da candidatura do senador Osmar Dias. Um encontro realizado ontem mesmo em Curitiba entre lideranças do PP, definiu que a sigla terá uma postura independente. Ou seja, o PP, que tem quatro deputados estaduais, não terá o compromisso de fazer oposição sistemática ao Executivo. (Colaborou Catarina Scortecci/Equipe da Folha)


