Patrícia Zanin
A proposta de aumento de 100% para os cargos comissionados na Assembléia repercutiu mal. Lideranças ouvidas pela Folha acham que os deputados parecem viver fora da realidade. ‘‘Antes de fazer isso, eles deveriam olhar pela janela e ver os professores reivindicando aumento para a migalha que recebem, o acampamento dos sem-terra. É só abrir a janela e decidir com consciência’’, disse ontem o presidente da OAB no Paraná, Edgar Luiz Cavalcanti de Albuquerque.
Para o presidente do Sindiservidores, Vladimir França, a Assembléia deveria priorizar o reajuste para o quadro geral do funcionalismo. ‘‘Esse aumento é uma atitude equivocada’’, criticou. Ele disse que, em agosto, o quadro geral de servidores vai completar quatro anos sem qualquer aumento, enquanto os comissionados do governo do Estado receberam 137% de reajuste em abril de 98.
O presidente da APP-Sindicato, Romeu Gomes de Miranda, disse que não vê problema no aumento dos comissionados, desde que os deputados pensem também nos outros funcionários de todo o Estado. Os 64 mil professores do Paraná recebem R$ 253,00/mês e não têm reajuste há quatro anos. O plano de cargos e salários da categoria está parado na Assembléia há um ano. Ontem, depois de um protesto, a APP teve a garantia da AL de que projeto será apreciado na Comissão de Constituição e Justiça na terça-feira.
Para o advogado Darci Frigo, da Comissão Pastoral da Terra, o aumento salarial, nesse momento, é um abuso. ‘‘É uma opção contrária do que espera a comunidade’’. Na opinião dele, a proposta é incoerente, já que o governo do Estado tem alegado falta de recursos para atender demandas na área social, principalmente para fazer a reforma agrária e melhorar a educação.
Membros do Conselho de Saúde da zona Sul de Londrina (Consul) acreditam que os deputados deveriam se preocupar com as políticas públicas de educação, saúde, moradia e emprego. ‘‘As pessoas estão morrendo em hospitais por falta de atendimento, de estrutura e de pessoal’’, disse a secretária geral do Consul, Maria Inez Gomes Domingues de Oliveira.

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