Líder tucano nega desagregação
Nelson Breve
Agência Estado
De Brasília
O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), disse ontem que não está havendo um processo de desagregação da base de sustentação parlamentar do governo FHC e sim uma freada de arrumação. Segundo ele, todo reinício de trabalhos legislativos é marcado por insatisfações de parlamentares que trazem para Brasília os anseios e angústias de suas bases eleitorais.
Não desconheço que existem problemas, alguns dos quais sérios, que precisam ser resolvidos, mas não tenho dúvidas de que através do diálogo e do entendimento conseguiremos as condições políticas para avançarmos, disse Arruda, observando que o presidente FHC está conversando com os presidentes dos partidos aliados e com os líderes partidários para estabelecer um novo pacto de convivência. É legítimo que as pessoas que estão dentro de um barco discutam qual o melhor rumo a tomar, mas isso tem um limite: não deixar entrar água no barco, argumenta o senador.
Arruda considera que as dificuldades estão nas consequências da crise internacional, que ele compara a um soco na boca do estômago da economia brasileira. Para o senador, ainda que essas consequências não tenham sido tão devastadoras como se chegou a presumir, há um preço a ser pago pela estabilidade e a divisão desse custo acaba sendo injusta porque quem tem menos paga mais.
Arruda afirma que o presidente Fernando Henrique percebeu que a sociedade brasileira vivia um momento de insatisfação com o desempenho do governo e decidiu fazer mudanças. Embora não reconheça diretamente que tais mudanças podem ter desagregado os aliados do governo, ele acredita que as postulações individuais e de grupos políticos não podem estar acima dos interesses maiores do País.
O senador recorre a um ditado popular para reconhecer que parte da insatisfação da base parlamentar deve-se à falta de recursos para atender aos pleitos dos aliados: Casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. Ele acredita, no entanto, que a proximidade das eleições municipais não fará com que a pressão dos parlamentares sobre o governo aumentem. O governo e os políticos estão sendo testados na administração da escassez, afirma, avaliando que a eleição do ano passado mostrou que a sociedade não julga mais os políticos pela capacidade de eles administrarem a abundância.





