O líder do MST José Rainha Jr. afirmou ontem em Presidente Prudente (SP) que considera esgotadas as chances de um novo diálogo com o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Para Rainha, o governo não ficou sensibilizado com as manifestações realizadas pelo MST na sexta-feira para lembrar os dois anos do massacre de Eldorado do Carajás (PA). ‘‘Não damos mais voto de confiança ao governo. As ocupações vão voltar, com mais intensidade , disse Rainha, que considera ter havido relativa trégua entre o MST e o governo em 97.
Desde a semana passada, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiu quatro fazendas na região do Pontal do Paranapanema (extremo-oeste de São Paulo), onde mora Rainha. ‘‘Já fomos a Brasília, falamos com o ministro (Raul Jungmann, da Política Fundiária) e tentamos negociar, mas me parece que o governo quer o confronto.
As declarações de Jungmann de que as manifestações do MST na sexta-feira tiveram caráter eleitoral, comprometem, segundo Rainha, a visão do governo sobre as reivindicações dos sem-terra. ‘‘O ministro sabe que foram anunciadas pelo Incra 11 desapropriações de fazendas no Pontal em fevereiro. Até agora, ficou só na promessa’’, acrescentou.
RecursosRainha cobra do governo federal a nomeação de um novo superintendente para o Incra de São Paulo. O cargo está vago desde o início do mês, com a saída de Jonas Villas Bôas, que antes estava em férias. ‘‘Ninguém sabe quem manda no Incra. Só restou a burocracia. Esse órgão não existe em São Paulo’’, disse.
Ao mesmo tempo em que critica o governo de Fernando Henrique Cardoso, José Rainha poupa o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), que estaria realizando a reforma agrária no Pontal do Paranapanema. ‘‘O presidente FHC nega os R$ 26 milhões que o Estado de São Paulo está pedindo e quer para comprar fazendas no Pontal. Por que ele não libera o dinheiro ao Estado, que está fazendo alguma coisa?’’, indaga o líder dos sem-terra.

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