A morte de Diniz Bento da Silva ocorreu num período de convulsão fundiária. Em agosto de 1991, cerca de 300 sem-terra invadiram área da firma agroindustrial Beledelli (fazenda Santana), localizada em Campo Bonito, no Oeste do Estado. O estopim do confronto foi em março de 1993, quando o sargento Vicente Freitas, o cabo Algacir Bebber e o soldado Adelino Arconti foram mortos por um grupo de sem-terra. Nos dias seguintes, um grupo especial da Polícia Civil e sete policiais militares passaram a procurar ‘‘Teixeirinha’’, o líder do acampamento.
A morte do líder sem-terra se consumou no dia 8 de março. A suposta execução teria sido feita a distância. Testemunhas arroladas no processo de indenização pela viúva, Lucia Mainko da Silva, afirmam ter visto marcas de violência no corpo de ‘‘Teixeirinha’’ e os policiais militares coagindo o filho menor de idade e a mulher a revelar seu paradeiro. A versão da PM foi diferente, de que os disparos ocorreram em meio à confusão e diante da resistência do líder sem-terra à prisão.
O senador Roberto Requião não dá crédito às acusações feitas pelo ex-secretário do Emprego e Relação do Trabalho, Joni Varisco, mas tem consciência que o episódio é ‘uma pedra no seu sapato’. O candidato das oposições ao governo tem dito que seus adversários tentam se beneficiar do caso. Quando soube que as investigações foram reabertas, há cerca de um mês e meio, pelo Cope (Centro de Operações Especiais da Polícia Civil), Requião assinalou que na sua gestão ‘‘desarmou os espíritos mais belicosos’’.
‘‘Agi com dureza e autoridade para evitar os conflitos. Mas nunca com violência, com a força bruta, com tiros nas pernas, como vimos neste governo. Como antes, declaro hoje: sou 100% a favor da reforma agrária. No entanto, sou também 100% contra as invasões de terras produtivas’’, afirmou. ‘‘O chamado caso Teixeirinha foi um triste acontecimento, um fato isolado que não fala pelo todo. O todo foi o diálogo e a solidariedade’’. Na campanha, Requião promete que, se eleito, vai resolver a crise fundiária instaurada no Estado. (L.D)

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