O deputado paranaense Ricardo Barros (PPB), líder do governo na Comissão Mista de Orçamento, prevê dificuldades na liberação de recursos para as emendas de bancada. A expectativa dos parlamentares de receber as verbas do governo federal antes de julho, para que possam ser utilizadas antes da eleição do ano que vem, pode ser frustrada.
Segundo Barros, o orçamento para 2002 está muito apertado. ''Nos últimos anos temos trabalhado com cerca de R$ 5 bilhões para atender às emendas. Acho que desta vez o valor pode até ser menor que esse, mesmo se tratando de ano eleitoral'', afirmou.
Para o pepebista, a falta de uma liderança na disputa pelos recursos orçamentários acaba prejudicando o Paraná. O deputado criticou tanto o governador Jaime Lerner (PFL) como os senadores paranaenses - Alvaro Dias (PDT), Osmar Dias (PDT) e Roberto Requião (PMDB) - que não teriam influência suficiente junto ao Ministério do Planejamento. ''Não temos uma figura que centralize as discussões. Neste ano recebemos visitas de vários setores da sociedade civil paranaense, que tiveram que se deslocar até Brasília para as discussões. Falta um interlocutor que faça esse papel e tenha influência sobre a bancada'', analisa.
Para Barros, o Paraná não possui um nome que tenha essa capacidade de liderança. ''Geralmente esse papel é exercido pelos senadores. Nesse ponto, existe um problema sério de falta de identificação com os deputados. O senador Roberto Requião é de oposição, enquanto os deputados de seu partido são governistas. Os irmãos Dias mudaram do PSDB para o PDT e não conseguiram levar nenhum deputado com eles. O relacionamento dos senadores com a bancada é praticamente inexistente'' dispara o deputado.
Barros também não poupou o governador Jaime Lerner de críticas. ''No começo do ano, vários governadores foram acompanhados das bancadas estaduais ao Ministério do Planejamento reivindicar verbas no orçamento. Se o governador tivesse tomado iniciativa semelhante, certamente teríamos recebido uma dotação orçamentária maior'', conclui.
Já para o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), as reuniões de bancada deste ano foram mais produtivas do que no ano passado, quando a Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) previa um máximo de 15 emendas por bancada. ''Tivemos discussões, como é normal, mas na reunião final conseguimos praticamente uma unanimidade'', comemora.
O orçamento para o ano que vem deve ser votado no dia 15 de dezembro, na última sessão do Legislativo. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o Orçamento tem que ser votado antes do final do ano, ao contrário do que costumava acontecer nos anos anteriores. (R.S.)

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