Líder petista pede afastamento de Sarney
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
Clarissa Oliveirae Rosa Costa<br>Agência Estado 
São Paulo e Brasília - Na contramão da orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a bancada do PT no Senado voltou a pedir ontem o afastamento do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Diante dos diálogos divulgados pelo jornal ''O Estado de S.Paulo'', em que Sarney discute com o filho Fernando Sarney a contratação do namorado de sua neta na Casa, o líder Aloizio Mercadante (SP) emitiu nota na qual considera ''grave'' a revelação. Em nome da bancada, ele afirmou que o Conselho de Ética do Senado terá de investigar ''com rigor a possibilidade de participação direta'' do peemedebista na promulgação do ato secreto que serviu para concretizar a nomeação.
''É grave essa nova denúncia porque há indícios concretos da associação do presidente do Senado, José Sarney, em ato secreto de nomeação do namorado de sua neta'', afirma o texto. ''A bancada reafirma a sua posição de que o melhor caminho seria o pedido de licença da presidência da Casa por parte do senador José Sarney.''
O afastamento do parlamentar chegou a ser defendido pelos petistas no início do mês, mas Mercadante e a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (SC), recuaram após Sarney ameaçar renunciar. A bancada então acabou sendo orientada expressamente pelo presidente Lula a trabalhar pela permanência do peemedebista no cargo, de olho na garantia de apoio do PMDB em 2010.
O novo pedido de licença ocorre na mesma semana em que o próprio Lula intensificou esforços em defesa de Sarney. Na quarta-feira, Lula disse ao novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que é preciso considerar a ''biografia'' dos acusados em investigações. Anteontem, foi mais incisivo, afirmou que ''não se pode vender tudo como crime de pena de morte''.
A nota dos petistas, que também pede a investigação do vazamento das gravações, menciona a proposta dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF) de antecipar a próxima reunião do Conselho de Ética. A bancada ''não se opõe à antecipação da reunião'', desde que ''asseguradas as exigências regimentais e a concordância e a disponibilidade de seus integrantes em período de recesso''.
Mercadante divulgou a nota pela assessoria, enquanto viaja com a família. Antes das férias, ele já não escondia o constrangimento em acatar a recomendação de Lula. Ele falou com alguns senadores antes de divulgar a nota, mas outros foram pegos de surpresa. Ideli, que acatou prontamente a orientação de defender Sarney, não sabia, segundo auxiliares. Ontem, ela não respondeu aos pedidos de entrevista. A petistas, ela confidenciou que a crise se agravou e poderá reavaliar sua posição.
A nota reforçou o argumento de setores da bancada que resistiam em apoiar Sarney. O senador Eduardo Suplicy (SP) já havia se antecipado e divulgado uma nota individual no dia anterior. Ontem, Suplicy acrescentou que ''a maior parte dos senadores'' do PT concorda com a licença. Derrotado na disputa pela presidência do Senado, Tião Viana (AC) também não esperou a nota. ''Minha posição tem sido muito clara. Acho que a melhor conduta é o afastamento'', insistiu.
O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), procurou minimizar a nota emitida pelo líder do partido, Aloizio Mercadante (SP), pedindo a licença do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Segundo ele, a direção nacional do PT ''respeita'' a posição da bancada, mas avalia que a licença de Sarney criaria um clima de instabilidade na Casa.


