Curitiba - O líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Natálio Stica (PT), defendeu ontem que a Corregedoria e a Comissão de Ética da Casa tomem providências em relação ao depoimento do doleiro Alberto Youssef, prestado em dezembro à 2 Vara Federal Criminal. Youssef afirmou à Justiça Federal que o ex-líder do governo Jaime Lerner (PSB) na Assembléia Durval Amaral (PFL) hoje líder da oposição , teria sido um dos beneficiados com as transações de créditos tributários entre Copel e Óleos Vegetais do Paraná (Olvepar), objeto de investigação pelo Ministério Público (MP) estadual. De acordo com o doleiro, Amaral, como líder da bancada lernerista, teria recebido R$ 2,19 milhões em troca para aprovar uma mensagem do Poder Executivo legalizando transações de crédito tributário (leia mais nesta página e na página 3).
O presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), disse que enquanto não houver um julgamento final (sentença judicial), atestando se houve ou não fraude nas transações Copel-Olvepar para desviar dinheiro público para políticos e autoridades, a Assembléia não pode se balizar pela imprensa. Brandão disse que sua posição pessoal é que não se deve tomar qualquer providência na Casa enquanto não houver uma decisão final.
''É complicado, tem que tomar providências'', disse Stica, referindo-se às declarações do doleiro em relação a Amaral. Segundo Stica, o próprio Durval Amaral deveria se adiantar e prestar esclarecimentos à Comissão de Ética e à Corregedoria.
Em nota oficial, Amaral disse estar indignado com o teor do depoimento de Youssef, e se dispôs a abrir seu sigilo bancário e telefônico.
O corregedor da Assembléia, Luiz Accorsi (PSDB), porém, não se mostrou interessado em apurar o caso. ''Só vamos tomar providências se uma denúncia formal chegar à Corregedoria. Eu não vou correr atrás'', declarou. Accorsi afirmou aos jornalistas que política é asssim mesmo, que um adversário quer prejudicar o outro, e que ele não pode correr atrás de tudo que sai nos jornais. Accorsi reclamou ainda da falta de estrutura para trabalhar como corregedor. O deputado é médico, e disse que sequer tem um advogado à sua disposição para prestar assessoria jurídica.
O presidente da Comissão de Ética, deputado Pedro Ivo Ilkiv (PT), também disse que precisa ter documentos para iniciar uma apuração. ''Oficialmente não nos chegou nada ainda. Vamos apurar a partir do momento em que a Justiça nos forneça dados'', disse o deputado.
Élio Rusch (PFL), integrante da oposição, se mostrou preocupado com o teor das denúncias. ''A preocupação que eu vejo é que depois pode não se provar nada contra as pessoas. Já falei isso sobre o Campêlo (Filho) e o Ingo (Hubert), quando foram presos (por ordem da Justiça). São pessoas com domicílio eleitoral e tudo.''

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