O líder do PT na Câmara, Marcelo Deda (SE), acusou ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso de se aproveitar da morte do líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), para chantagear a oposição. Fernando Henrique pediu que as oposições deixem de ‘‘mesquinharias’’ e aprovem logo as reformas. A resposta de Deda foi dura. ‘‘Mesquinharia é não saber se comportar diante da doida tragédia’’, afirmou ele.
Deda visitou ontem em Salvador o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), pai de Luís Eduardo, para lhe prestar solidariedade. Deda disse ter conversado com ACM e que a morte de Luís Eduardo era uma grande perda porque, com ele, as oposições sentiam-se seguras para fazer negociações. O presidente do Senado, segundo Deda, respondeu: ‘‘Da turma do PT, ele sempre falava sobre você e sobre o deputado José Genoíno (SP).’’
‘‘As oposições vão continuar trabalhando contra as reformas propostas pelo governo’’, afirmou o líder do PT. Nem o apelo de Fernando Henrique, para que Luís Eduardo seja homenageado com a aprovação das reformas, comoveu Deda. ‘‘O Luís Eduardo era um guerreiro e a melhor forma de homenageá-lo é a luta cotidiana.’’ Ele continuou: ‘‘Não se homenageia um guerreiro travando a espada.’’
Para Deda, não é correto o presidente da República usar a comoção que tomou conta de todos os políticos para tentar mudar a posição dos parlamentares dos partidos de oposição. ‘‘Como diria a escritora alemã Simone Weil: que nossas divergências não inviabilizem nossa amizade e que nossa amizade não esconda nossas divergências’’, disse o líder do PT.
Genoino O deputado federal José Genoíno (PT-SP) considerou ‘‘ineficaz’’ o pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso para que a oposição pense mais no País e menos nela própria. ‘‘Ou ele tripudia a esquerda, ou faz um discurso sem eficácia’’, disse o deputado. Genoíno previu atraso na votação das reformas em razão das mortes do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, e do líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA).
Para Genoíno, o início da votação da reforma previdenciária, marcado para quarta-feira, vai servir apenas como um teste. ‘‘Servirá somente para sentir o clima, mas não deve haver votação’’, destacou. (AE)

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