Brasília - O líder do PSDB na Câmara, deputado Alberto Goldman (SP), informou ontem que vai recomendar à bancada de seu partido o voto contrário ao salário mínimo de R$ 384,29. O PFL, entretanto, tentará aprovar esse valor em votação que deve acontecer hoje na Câmara. Na semana passada, o Senado aprovou em plenário a elevação do mínimo R$ 384,29. Agora, cabe aos deputados referendar esse valor ou manter os R$ 300 propostos pelo governo Lula por meio de medida provisória.
Para Goldman, um dos principais líderes da oposição na Câmara, o PSDB deve ajudar o governo nesse caso porque o mínimo de R$ 384,29 não é ''factível'' com o caixa da União, Estados e municípios. Os líderes partidários estiveram ontem reunidos com o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcante (PP-PE), para decidir como será a votação do mínimo na Casa. A maior parte dos líderes concorda que os R$ 384,29 comprometem o equilíbrio fiscal das contas públicas, mas por se tratar de uma decisão polêmica, os líderes irão conversar com as bancadas para fechar um acordo para a votação.
Em 1º de maio, o mínimo foi reajustado de R$ 260 para R$ 300. O impacto de uma elevação para R$ 384,29 retroativa a maio, só nas contas da União, seria de R$ 15,966 bilhões, segundo cálculos do Ministério do Planejamento. Se os deputados referendarem a decisão do Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá vetar o aumento. Há também a possibilidade da medida caducar sem ser votada - a medida vence na sexta-feira, mas nesse dia não há sessão na Câmara dos Deputados. Nos dois casos, o mínimo voltaria a ser R$ 260. Para evitar isso, o governo pode enviar ao Congresso um projeto de lei que garanta o salário mínimo de R$ 300 ou uma MP com um valor muito próximo.

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