Brasília - O líder do PR no Senado, Blairo Maggi (MT), atribuiu à falta de atenção da coordenação política do governo a rebelião da base aliada, que anteontem culminou na rejeição em plenário da recondução de Bernardo Figueiredo ao cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). ''Na metade do baile, todo mundo já sabia como ia ser o baile'', afirmou Blairo.
''Foi dado um recado e eu espero que minha chamada (de) atenção faça sentido. De repente, a gente (o Senado) vai fazer (uma rebelião) em cima de uma DRU, de uma CPMF. Não pode fazer isso numa matéria importante, você prejudicar a administração por causa da política'', alertou.
Blairo conversou na manhã de ontem por telefone com a ministra-chefe da Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Segundo ele, a ministra lamentou a derrota na votação de Figueiredo. O líder do PR disse a ela que o governo ''falhou''. ''Vocês deviam ter corrido aqui. Quem deveria ter me ligado, não me ligou. A coisa está muito solta'', afirmou. Ele não quis opinar se, diante do resultado na votação de Figueiredo, seria o caso de se trocar o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
O líder do PR disse que seu partido não tinha ''nenhuma dificuldade'' em reconduzir Figueiredo. Blairo disse que, na sua bancada, apenas Magno Malta (ES) votou contra a continuidade do diretor-geral da ANTT. Ele disse que Ideli se comprometeu a estreitar o diálogo com a bancada.
Embora não tenha conversado com a ministra sobre a participação do PR no governo, Blairo disse que o partido quer voltar ao Ministério dos Transportes. A pasta é ocupada por Paulo Sérgio Passos que, apesar de filiado ao partido, não conta com o apoio dos parlamentares. ''É um desejo da Câmara, os deputados estão firmando disposição nisso (de fazer o ministro)'', disse. ''Política é assim: cafezinho e carinho. Tem que ter, senão não vai'', completou ele, ao dizer que está fora da disputa para o cargo.
Para o líder republicano, o que ''está acontecendo com o PR, essa falta de diálogo e de continuidade, acontece com outros partidos''. ''É isso que tem dado a insatisfação. Lá na Câmara, os deputados assinaram um manifesto. Os senadores tomaram uma decisão'', afirmou.

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